É mais do que claro que eu gosto de blogs. Não só de fazê-los, como o Luz, Câmera, Post, que por sinal tem resenha do Rocky Balboa sem spoiler (apesar da vontade de contar o final), mas também de lê-los. E tem três, atualmente, que eu não troco por um album de figurinhas da Copa de 50 ou um livro do Saramago.

O primeiro é o da Lelê, que é número um desde que o mundo é mundo. Se um dia eu ficar famoso por conta de escritos, posso dizer sem dúvida alguma que a primeira obra que eu li foi os escritos de Leonor. Que por sinal há muito tempo já deveriam ter sido compilados e lançados no impresso. Quando isso acontecer, o tal do Bloomsday do Joyce vai ser fichinha. Ali o que mais me chama atenção é a narrativa: o contar histórias da Lelê engloba um todo, por mais pessoais que sejam. É como uma mesa de bar com palavras. Dá vontade de pedir uma cerveja a cada história ali escrita. Tem seus momentos sérios e tem as narrativas surreais, porém compreensíveis. É, sem dúvida alguma, um marco.

Outro que me dá aquela sensação de orgulho por ler é o da Lilhoca. Ela nos faz acreditar que os caras do Monthy Phyton não morreram ou passaram a fazer filmes bobos como o John Cleese (não incluam o sempre ótimo Um Peixe Chamado Wanda no bolo, por favor) depois da fama. Parece que eles estão ali, todo dia, escrevendo novos trechos da vida de Brian. Ou quem sabe o sentido da vida. Não, talvez seja Douglas Adams retomando o melhor dos cinco livros de sua trilogia, o Guia do Mochileiro das Galáxias. Enfim, é nonsense de primeira, daqueles que a gente não precisa beber demais para entender. Mas precisa estar alto para participar.

Mas isso já foi dito infinitas vezes por aqui, em palavras mais simples ou, as vezes, mais maravilhadas. O próximo, porém, é um tanto novo para o leitor desta joça, mas é uma das coisas mais impagáveis que esse troço chamado Internet pode proporcionar: trata-se do Meia Lua + Soco, blog de sobre videogames do Pedro.

Calma, eu falo de blog de videogame e os camponeses já vem com tochas, foices e o Torquemada. O que vale ser dito é que, em áureos tempos de cabelos ao vento, eu era leitor assíduo de duas revistas: Super Game Power e Ação Games. Para quem nunca as leu, eram compostas por lançamentos, resenhas mal escritas de alguns jogos, cartas engraçadinhas com respostas mais engraçadinhas ainda e os famigerados "detonados", onde o pessoal das supracitadas revistas destrinchavam cada parte de determinado game para novatos como eu, que terminavam o jogo e mentiam, descaradamente:

- Tá lôco, eu não salvo jogo com revista não!

Pois bem, os "detonados" eram a parte mais sem graça da revista. Afinal de contas, se você não tivesse jogado determinado título, qual é a lógica de ficar olhando aquela narrativa sonsa com fotos pequenas demais? Claro, era literatura atrativa, com trechos como "Vá até o portão principal da cidade, usei a blue key que você encontrou no museu, abra e corra assim que Nemesis vir atrás de você". Em suma, uma merda.

Então fui brindado com o Meia Lua + Soco. Só o nome já te faz clicar no link. Todos, eu disse todos, já escutaram três frases na vida, na maioria das vezes juntas: "Vá pra puta que o pariu!", "Tomar no cu!" e "Dá meia lua mais soco!". Não há como escapar disso. Eu, você, seu avô que lutou na Segunda Guerra, aquele tio que diz ser descendente do Gengis Khan para a psicóloga, todos já escutamos isso. Logo, nome melhor não poderia ter.

Além disso, o Meia Lua + Soco tem jogos detonados. Um, em especial, me veio com alguns anos de atraso, mas ao ler parecia que eu ainda tinha meu Super Nes funcionando e ainda gastava minhas tardes e noites se acabando de jogar videogame. É, mais do que um simples detonado, a análise morfológica, sintática e morfosintática do The Adventures of Batman & Robin, jogaço do Super Nes, cujo detonado conta com este trecho antológico:

"Bom, o Coringa foge de você, vai pra montanha russa, sobe num dos carrinhos do brinquedo e vai embora. Como o Batman é o Homem Sem Med… ehr… não. Esse é o Demolidor de novo. Como o Batman é QUASE um homem sem medo, praticamente um destemido (na verdade, um temerário), vai atrás e também entra em um dos carrinhos.

Porque, lógico, é muito mais fácil perseguir um maníaco homicida carregando dezenas de bombas numa montanha russa do que esperar o vagão onde ele está dar a volta completa no percurso para apanhá-lo quando voltar ao ponto de partida. Sendo Bruce Wayne um sujeito de intelecto extremamente avançado, deve saber o que faz, então não vamos discutir com ele.".

Eu garanto que se a Super Game Power publicasse coisas assim, eu faria plantão em bancas de jornais. Fato é que, desde sempre, a maioria dos blogs que eu leio são melhores que as revistas que eu compro.