Entra a vinheta do Plantão. Na mesa, dois copos, duas cervejas, dois cigarros. O papo era cinema, futebol, mulher, essas coisas. O apresentador informou, em tom de respeito a quem vai mais cedo:
- Está internado em estado grave o ator Jece Valdão, protagonista de inúmeros filmes e seriados de TV. Conhecido como o símbolo do cafajestismo antes de se converter e virar evangélico…
- Taí, o mundo perde o último dos cafajestes! E o maior!
- Que nada. Lembra do Almeida, aquele que comeu a Cissa, sendo que era compadre do casamento? Daí o Piva foi lá tirar satisfação e, depois de conversar com o cara, foi pra casa e encheu a mulher de bolacha…
- Pô, eu lembro. O Almeida falou que não tinha nada a ver, que ele tinha respeito pela Cissa, e ainda falou que se fosse mulher dele, ia apanhar para aprender a não espalhar boato.
- E tinha também o Mário, lembra. Aquele que pegava a irmã de todo mundo, engravidava e saía fora. Era conhecido como "fazedor de tios"…
- Eu sei, meu sobrinho é a cara dele.
- Porra!
- Não, é o primeiro, não o Pedrinho. Esse é sua cara.
- Pô, e o Lima, que dizia toda semana que o pai morreu para recolher a caixinha do velório. Cansei de ver ele tomando birita com o velho depois de passar a sacolinha.
- Grande filho duma santa!
- Pois é…
- Pô, teu pai também era o maior cafa.
- Pois é, e tua mãe também.
- Ah, minha mãe fugiu junto com ele por amor.
- Sei, sei. Amor ao dinheiro do meu velho.
- Que dinheiro? Teu pai perdia tudo no Bingo, aquele degenerado.
- É, e foi lá que ele conheceu tua mãe.
- Enfim, estamos fugindo do foco. Lembra do Kennedy, era outro cafajeste.
- Mas esse morreu, pô! Estamos falndo dos vivos.
- Ah é… mas ainda tem o Han Solo. Será que o Harrison Ford é cafa?
- Sei lá, eu não sou nerd…
- E tem o Hugh Grant, o Chirac, o Lula, o FHC, o Mainardi…
- Putz, é mesmo. O Jece é só mais um cafajeste.
- Que Deus o guarde.
- Tá loco? O Hômi não guarda cafajeste não…
- Mas ele se regenerou, virou evangélico!
- E daí? Uma vez Flamengo, sempre Flamengo. Você acha que a Monique Evans vai pro céu?
- Já tá no meu faz tempo.
- Tanto cafajeste bom pra morrer e vai logo o Jece?
- É mesmo. Devia ir teu pai.
- Ou tua mãe.
E em algum outro canto da cidade as esposas dos interlocutores aproveitavam o tempo vago para comprovar que, ao contrário do que pensam, Jece não é o último dos cafajestes, muito menos o maior. Mesmo porque ainda temos Paulo César Pereio para desmentir tal afirmação.
