Let's talk about sexAugust 2, 2006 1:44 pm

Quando ele a viu pela primeira vez, não pode deixar de ficar intrigado com todo aquele magnetismo. Afinal de contas não era nada além do normal, mas havia algo, uma aura, como é aquele negócio que dizem que os predestinados têm? É aura mesmo, sei lá. Enfim, ela era o núcleo, o centro de toda e qualquer atenção, masculina e feminina.

Não poderia ser somente pelo sexo, mesmo porque ele já estava acostumado a não sucumbir aos desejos da carne. Ok, é muito clichê, então vamos mudar para uma melhor: ele não estava acostumado a sentir tesão. Melhorou?

Enfim, mas quando ele a viu, "puta merda", foi o que ele exclamou. E ele mal acreditava que estava ali, na mesma mesa, tomando do mesmo café, falando das mesmas coisas. Era algo simbiótico, era um buraco negro engolindo tudo à sua volta, problemas, soluções, causas, efeitos, café, ele, nós, você. E ele, coitado, ele nem piscar conseguia.

Uma hora, é claro, a coisa foi para onde vão quase todas as conversas boas.

- Na minha casa ou na sua? - ela perguntou

- Eu não sei… eu… eu…

- Você?

- É, eu não posso… eu… sabe, eu não sou esse tipo de homem que você está pensando, e…

Antes mesmo que ele pudesse pensar em explicar de forma coerente, ela o tomou pelos braços, algo não muito usual, mas totalmente condizente com a coisa toda de buraco negro, magnetismo e afins. Daquele beijo saiu o destino, que seria a casa dela. Algumas horas depois, cigarro no canto da boca, cinzeiro apoiado na barriga, ele vaticinou:

- Amanhã eu largo o seminário.

Realmente, seria um tanto difícil ela ir à casa dele.

Let's talk about sexJuly 27, 2006 2:15 pm

A gente sabe que o fim da linha chegou quando se tem oito blogs se faz necessário ir a um puteiro, prostíbulo, meretrício, zona, enfim, à uma "casa" para resolver aqueles problemas de foro intímo e tal.

E o João, coitado, precisou comparecer a uma casa da luz vermelha (um baita eufemismo bonito, por sinal). Não que ele tivesse oito blogs, é claro. Mas João não andava pegando nem gripe e resolveu que era aquilo, ou a morte. E morrer com o número de punhetas que ele tinha era programa de milhas para cinco milênios no Inferno.

Então João resolveu ir, mas tinha outro problema: ganhava pouco, o rapaz. Sustentava a família, gente simples e honesta. Num mundo perfeito, ele teria sua cota de foda diária sem problemas. Mas na sociedade capitalista cheia daqueles clichês vermelhinhos, ele tinha de pagar por aquilo. Como trata-se de uma no cravo, outra na ferradura, João pode optar por diversos preços pois, mesmo sendo injusto, o capital alimenta a livre concorrência.

Então lá foi nosso intrépido herói ao famoso Treme-treme (um belissímo e sagaz apelido) atrás de moças experientes que pudessem dar um auxílio ao seu pequeno problema. Só que naquela noite, algo mudaria a vida de João. Algo com 1,68 metro, 65 quilos, uma bizarra combinação de meia arrastão verde limão com top laranja que cobriam a bunda mais redondamente perfeita que João já viu, bunda esta em simetria com os seios, como se exclamassem em uníssono: promoção única e imperdível.

Paula era seu nome, e aquilo era um bico. Recém-chegada ao curso de jornalismo, ela não tinha como pagar os oitocentos reais da mensalidade, sem contar os livros e tudo o mais que o ato de ingressar numa faculdade pede. Na sua lógica torta, porém sagaz, vaticinou:

- Já que eles me arrancarão a calcinha, faço isso por conta própria.

E lá foi ela para a vida, para encontrar João, que chegou e voou para cima da moça antes que qualquer outro pudesse vê-la:

- Er… hum… oi…

- Oi?

- Tudo bem? Er… você vem sempre aqui?

Entenderam agora porque ele não pegava nem gripe?

- Cem reais…

- Que isso, as outras cobram 30!!!???

- O que você é? Surdo? Economista? Meu terapeuta? Quer conversar? Cem reais ou nada…

João estava apaixonado. "Que humor! Ou mau humor…", ele pensou, mas não importava, aquela mulher era seu sonho materializado. Enfiou a mão no bolso e, da carteira, sacou cem reais. Os olhos de Paula brilharam:

- Tudo bem gatinho, é por aqui…

E lá foram eles para a melhor noite de João que, ao final da hora, sacou mais cem e pediu desconto para mais duas horas. Acabaram fechando em uma hora e meia, numa bizarra barganha à meia-luz, e João prometeu voltar.

Nos meses seguintes, tratava-se de outro homem. João não comia, não bebia, economizava cada centavo para, uma vez por semana, torrar cem, duzentos, até trezentos reais com Paula. Tornara-se um avaro de primeiira linha, levando a vida dessa forma durante quatro anos. Paula, após os quatro anos, pegou outro tipo de canudo, largando a vida fácil por outra não lá muito difícil e sumindo do dia-a-dia de João, não sem antes tentar consolar o pobre amante:

- Agora você me terá todos os dias, nas bancas de jornal, por apenas R$ 2,50.

E João seguiu lendo sua amada por dois anos, até que um dia apareceu morto, no quarto de sua casa, forrado de artigos assinados por Paula Alvarenga. No dia seguinte, uma carta chegou ao jornal, remetida por um certo João:

"Caro Editor-Chefe

espero que esta missiva o encontre bem. Quero que saiba que morri por causa da merda do seu jornal e da puta que escreve uma vez por dia um artigo neste lixo. Eu que acreditava que o jornalismo era feito de forma idônea, agora sei que ele está cercado de putas, de cafetões e afins. Aliás, é uma ofensa a classe de trabalhadores da zona comparar eles com vocês. Vocês são umas antas, umas bestas, uns imbecis! Espero que esta carta te encontre com um edema, um problema cardiovascular qualquer, um tumor! Enfim, espero que você se foda, junto com a sua ninfeta!

Cordialmente.

João"

O editor, ao ler a carta, apenas sorriu e, por entre esse sorriso, sibilou:

- Parem as prensas, ele acaba de descobrir a roda…

Paula ria junto, sentada no colo do chefe, fazendo serão com um picador de gelo na mão.

Let's talk about sexJuly 25, 2006 5:09 pm

Quando eu entrei naquele carro e tocava Police no rádio, imaginei que boa coisa não era.

- Police é muito bom… - eu disse.

- Pois é, temos muitas coisas em comum, tá vendo?

Eu imaginei que ela era suicida, na mesma hora, porque talvez só isso fosse parte das "coisas em comum".

Quando eu aceitei o convite, não sabia onde estava com a cabeça. Melhor, até sabia: estava entre as pernas, utilizando o mictório de um banheiro qualquer, de um bar qualquer. Mas depois lembrei que eu que havia feito o convite. Enfim, lá pelas tantas nos embrenhamos pelas ruas de uma perigosa região de Sampa. Talvez o PCC atacasse, sei lá. Chegamos e a fila do abate era grande. Sábado é dia de ir no motel, acho eu, então vinha a parte mais difícil daquela noite, a única pauta onde a cabeça de cima quase venceu a de baixo naquele banheiro sujo de um bar qualquer. Veio a conversa.

- Sabe, eu ando lendo Shakespeare.

Police e Shakespeare. Está tudo errado!

- Jura? Anda lendo o quê dele?

- O Fantasma da Ópera!

Sorte que eu não brocho com literatura. Pelo menos não ainda.

- Mas não é dele… - tentei argumentar.

- É sim, eu vi!

- Não é!

- É sim…

- Não é!

- É sim!

- Diabos, tira logo a calcinha, vai…

- Aqui não, aqui é a fila.

- Vai, anda, tira logo "Desdêmona"!

- Ah, isso eu sei, é Walter Scott!

- Não é! É Shakespeare!

- Não, é Walter Scott!

- Puta que o pariu… olha, vagou um quarto!

- Êêêêêba…

"Êêêêêba…"? Prometi que nunca mais pensaria com a cabeça de baixo. Questão lógica, ela é menor que a de cima. Bem menor. Talvez a de cima seja mais estúpida, mas vai impor suas idéias pela força.

- Olha, vamos fazer assim, eu faço um strip pra você…

- Hum…

- Olha só, você gosta?

- Opa! Tanto quanto o Humbert Humbert gostava de ninfetas…

Por que eu ainda dou corda?

- Aquele do Tolstói! Ótimo livro!

- Não, do Nabokov…

- É do Tolstói!

- Tá, tá, tira a roupa, vai…

- Tá gostando?

- As mulheres de trinta são ótimas…

- Sim, sim, já disse o Flaubert…

- É o Balzac…

- Não, é o Flaubert!

- Puta que me pariu! Chega de falar de livros, é sério…

- Tá bom, tá bom, então eu vou fazer um strip igual aquela moça daquele filme do Scorcese, qual o nome?

- Cassino? Não era strip, era um boquete…

- Não, o Femme Fatale! Lembrei! Êêêêba!

"Êêêêba"? De novo?

- Não, é do de Palma…

- Do Scorcese!

- Faz assim: imita a Sharon Stone no Cassino e tá tudo bem. Se quiser, pode até me chamar de Robert De Niro que eu não esquento…

- Tá bom, Al Pacino…

- Hein?

- O filme é com o Al Pacino…

- Chega! Finge que é cinema mudo!

E pela primeira vez na história, eu acho, aconteceu o sexo oral com marcha militar. Porque ela insistia que o Chaplin era Hitler.

Let's talk about sexJuly 18, 2006 5:03 pm

A bursite está aí para atacar qualquer brasileiro que não desiste nunca. Depois de vitimar o presidente Lula, foi a vez de Dona Helena, mulher que trouxe esse ao mundo, sofrer do mal que assola o país tanto quanto a Peste Negra assolou a Europa em caralhadas de trecotontem.

Então, no papel de filho ciente de suas responsabilidades, tive de acompanhar a véia na ida ao médico. Logo imagina-se que uma sala de fisioterapia tenha ao menos duas gostosas com aquelas calças coladas estilo "parei metade da academia durante o exercício", certo? Vejamos: num ambiente onde a possibilidade de senhorinhas com artrite, artrose, bursite, osteoporose e demais males é de 42%, atletas de fim-de-semana somam o percentual de 38% e crianças retardadas que pulam do sofá, cadeiras e afins somam 21%, sobram 35 % de chances de se ter uma gostosa que, numa leitura dinâmica do Kama Sutra, tenha errado a posição correta e suas rijas coxas tenham se fodido antes mesmo do próximo capítulo. O que, errei no percentual? Má vá!

Chegamos duas horas antes da consulta. Eu, munido de Denis Lehane e o magnífico Paciente 67, mamãe de todo amor e carinho de anos no ofício de matriarca:

- Caraleo, chegamos cedo, né? 

E lá ficamos sentados, durante duas longas horas. Enquanto isso chegaram crianças do Circo de Soleil, trapezistas do Orlando Orfei, soldados rasos que desembarcaram na Normandia, um cego, um judeu, um português e um papagaio. E nada, nada mesmo, de uma gostosa para sentar do lado - enquanto a velha abria os braços para a médica - e perguntar:

- O que você está lendo?

- Paciente 67…

- Ah, você é médico? - seguido de um olhar languido…

- Er… hum… *olha os seios intumescidos* Claro!

Obviamente que ela seria burra, senão não tem fetiche que aguente nem punheta que dê conta.

Então sabe o que me acontece de repente?

*climão de suspense!*

Porra nenhuma. Minha mãe sai, tudo bem, tudo bem, e eu venho trabalhar e brindá-los com este texto retardado de um semi-tarado que anda falando muito com a Lilian no MSN. Poderia ser pior. Você poderia ter chegado até o fim dessa joça. 

Let's talk about sexJuly 13, 2006 6:24 pm

Desafiando todas as leis, ontem foi dia de tomar cervejas com essa figura, essa daqui, esta outra figura, um jornalista, uma ex-ongeira, Jesus Cristo e o Daygo. Como é notório, essa figura é o demônio. Logo, quer ver o circo do Inferno pegar fogo para que o palhaço arda em chamas.

Na mesa ao lado, um casal olhava atento aquele grupo tão diferente, tão heterogêneo, quase uma convenção da ONU. Então o demônio fez uso de seu tridente, capa e cauda para nos levar ao incrível mundo do "sex truck".

Pausa para aproveitar e mostrar que eu lembro de algo sobre sexo: O quê? Não sabe o que é "sex truck"? Mas até eu já ouvi dizer sobre! E não foi depois da meia-noite no Multishow!

Pois bem o figura, convocado pelo demônio, manifestou-se na mesa. Ao lado de sua mulher, amante, esposa, irmã, sei lá que diabos, mais conhecida como "Chuchuzinho" (é, no masculino, enfim), o Pedro e Bino da putaria começou, com a eloqüência de um professor de Harvard, a nos falar sobre o "sex truck":

- Porque pegar mulher é igual dirigir um carro. Se ela se encolhe, como um caramujo (!!!), é porque a coisa tá ruim. Engata a ré (sei, sei) e tenta outra pista. Mas se você tá lá e a mulher empinou rapá, manda a quinta e vai embora pela Bandeirantes, estrada boa!

É o Falcão, o Campeão dos Campeões, do sexo.

Vale contar que tinhamos ao nosso dispôr onomatopéias, caras e bocas e muito ronco de motor. A ex-ongeira, imbuída no espírito de servir, ajudava nosso amigo com provocações pertinentes. E o cara cada vez mais, por incrível que pareça, afundava o jipe na lama (êpa, essa porra de eufemismo pega!). Assim se seguiu até a hora em que ele resolveu puxar o carro (tô falando!). Então para contrabalancear o demônio, Jesus resolveu ser salvador:

- Pô, cadê minha mulher? Vrummmmmm, vrummmmmm… - disse "Sex Truck"

- Você ainda pergunta, meu filho? - respondeu Jesus.

Era quase uma versão pornô do Carros, o último filme da Disney.