Gone, baby, gone - Dennis LehaneDecember 22, 2006 1:55 pm

Graças a brilhante idéia da Lilhoca, temos aqui o post secreto, onde escrevemos qualquer coisa sobre a pesoa que tiramos após sorteio. Eu sei, não tem aquela sapecagem dos amigos secretos da firma, onde você reza para a secretária gostosuda beber muito mais do que pode e, assim, esquecer que você é o cara que tira xerox. Mas eu garanto que os textos do pessoal da Blogagi farão justiça aos escritores que o blog possui. Esse aqui, já de cara, mostra que não faz jus ao quão gente fina é meu amigo secreto deste ano.

Questão de Bat-ordem, senhor bat-juiz!

O advogado chegou em cima da hora. Ainda tinha, preso à mão, o controle do Wii. Reza a lenda que Scheila Carvalho o queria. Mas ele queria o Wii e ponto. O terno preto com riscas brancas contrastava com o roxo do paletó de seu cliente. E ele não entendia o porquê daquela flor tão bizarra na lapela.

A experiência advertia que ele não deveria cumprimentar seu cliente, em hipótese alguma. Acenou com a cabeça e estranhou o novo corte de cabelo, o verde desgrenhado dando lugar a uma careca branca que chegava a brilhar. A voz do juiz retumbou:

- Eu sou o Juiz Dredd. Eu sou a lei. Advogados, venham à tribuna, por favor.

Matt Murdock, o advogado de acusação, tropeçou no primeiro degrau que dava acesso à tribuna do juiz. Coringa, o acusado, quase morreu de rir. Batman cerrou os dentes.

- Senhor advogado de defesa, seu cliente se considera culpado ou inocente?
- Inocente, Juiz Dredd!

Outro ataque de riso do Coringa. Pingüim, sentado na cadeira de trás, colocou a pata em seu ombro. Duas Caras não sabia se ria ou se fazia careta.

- Que entre a primeira testemunha! – disse o juiz.

Instantes depois, o advogado de defesa fazia sua primeira pergunta.

- Onde você estava no dia 22 de janeiro deste ano?
- Miau, miau, miau!

Batman fez um bat-sinal ao advogado de acusação, que não viu nada. Murdock, vulgo Demolidor, acabou protestando, dizendo que a Mulher-Gato, foragida da lei, não poderia depor naquele tribunal. Audição ele ainda tinha.

- Senhor Juiz Dredd, pode notar que não se trata da Mulher-Gato, e sim de Arlequina, conhecida do injustamente acusado Coringa, o Joker, o Palhaço.

Um burburinho seguiu logo depois do nome da cúmplice de Coringa, o Joker, o Palhaço, ter sido citado. Apesar disso, Arlequina lambia tranqüilamente as patas, como se nada estivesse acontecendo. Queria apenas um bom pedaço de atum. Ou de picanha.

- É algum tipo de brincadeira, advogado?
- Que brincadeira, Meretíssimo Juiz Dredd?
- Tomar depoimento de uma gata?
- Senhor Juiz Dredd, Selina Kyle pode nos auxiliar como escrivã, não pode?

A roupa de couro da Mulher-Gato parou o tribunal, aguçando libido e superpoderes dos presentes. Menos, é claro, de Robin. Ele era o mais bat-indignado, pois o Homem Morcego a secava sem misericórdia.

A imprensa compareceu em peso para a cobertura do evento. Superman voou do Planeta Diário para Gotham. Homem-Aranha fazia tomadas únicas do teto do tribunal, apesar das investidas de Venom pela melhor foto do “julgamento do século”, conforme o Homem de Aço escrevera dias antes.

Tomado o depoimento de Arlequina, foi vez do Demolidor chamar sua testemunha. A porta do tribunal, de repente, virou farelo, os tocos voando em cima da platéia. Um homem, que mais parecia com uma montanha, atravessou correndo o tribunal e só parou na frente do Juiz Dredd.

- É o julgamento de Charles? Cheguei na hora certa?
- Eu sou a Lei! E você, quem é?
- Juggernaut. Quem é o réu aqui?
- Coringa, o Joker, o Palhaço.
- Bah, DC fede!

E tão rápido e avassalador quanto veio, ele saiu, levando um pedaço imenso da parede do tribunal.

- Droga, Bola de Pêlos, porque ele não entra como uma pessoa normal? – indagou Wolverine ao Doutor Hank.
- E eu lá sei? Ele é um mala, rapá… – respondeu o Fera, pendurado de cabeça para baixo no teto do tribunal.

O julgamento se arrastou por horas, enquanto o júri analisava meticulosamente o caso de Coringa, o Joker, o Palhaço, entre um cochilo e outro. Poucas 36 horas depois, Juiz Dredd deu o veredicto final, embasado na escolha do júri:

- O acusado Coringa, o Joker, o Palhaço, é inocente, segundo o júri. Declaro essa seção encerrada. Senhor Coringa, pode comparecer ao Asilo Arkham para retirar seus pertences. Eu sou a Lei!

Batman tentou fazer Justiça com as próprias mãos, mas Robin as segurava com força. Fez um bat-sinal para o Demolidor, que mais uma vez nada viu. Coringa, o Joker, o Palhaço, sorria para seu advogado e estendeu a mão, em reconhecimento a vitória.

- Obrigado, meu caro!

E o advogado o cumprimentou, recebendo uma descarga descomunal de volts.

- Filho da puta! Enfia essa mão no cu, véi! No cu!

Gone, baby, gone - Dennis LehaneDecember 21, 2006 8:29 pm

Se não me falha a memória, o que é quase impossível, era a bruxa quem avisava:

- Cuidado, César, com os idos de março.

Bom, março era para o homônimo menos famoso, aquele Júlio lá do Rubicão. No meu caso, o Blogger deve ter avisado:

- Cuidado, César, com os idos de dezembro.

E vocês sabem que o Cesinha não deu lá muita atenção para a bruxa e continuou no seu estilo George Bush wannabe, declarando-se dono até de arbusto. Então Brutus, moço volúvel, volátil, viado da porra, foi e deu umas facadas no Cesinha, nas escadas do Senado (idéias para protestar contra o aumento de 91%, ligue para mim). Marcão estava no meio do imbróglio, reza a lenda, junto com mais uma porrada de gente. O cara era o mais mal amado de todos os tempos, disse o Figueiredo. O Figueiredo, meu povo!

No meu caso, não teve escada do Senado, não teve Brutus. Mas a traição tá ali ó, emparelhada. A porra do Blogger, em um momento de vendetta que faria Don Corleone chama-lo de Don, resolveu dar cabo do antigo Imperador, aquele que tinha o layout foda de lindo feito pela Camila e onde se era proibido falar o nome do Zé Dirceu em vão. Governista de merda, deveria ser renancalheiros.com.

Eis que os textos que lá estavam não foram salvos por esta anta que os digita. Não que tivesse muito a ser salvo. Para dar proporções, porque eu adoro essa desgraça de proporções, era como afundar um navio onde 98% do carregamento era composto de água de coco - sujeira que as pessoas bebem na praia e acham ótima -, e 2% de Serra Malte gelada sexta-feira, oito da noite, 42 graus em Sampa. Assim sendo, perdi uma porrada de coisa. Uns mimimimimimis com algumas mulheres, alguns textos fodas de conversas com outros blogueiros, a grande viagem do "Em Roma, como os romanos", que narrava a história do rap desde caralhadas ancestrais. Também perdi uns textos sobre política, graças a Marx. É, estou no estilão Fernando Henrique, esqueçam o que eu escrevi, e daí?

É pena porque me era crítico, aquele blog. Eu via ali erros que não deveriam mais ser cometidos, acertos que deveriam ser copiados à exaustão, histórias que me lembravam pessoas, lugares e momentos ótimos. Era como se eu estivesse vestido de Armani. A etiqueta (layout), era linda. O conteúdo (Júlio), era uma droga. O Imperador se foi. Vida longa ao Imperador.

Gone, baby, gone - Dennis Lehane 4:47 pm

Tá, eu já vi isso cinco vezes só hoje. Ok, eu me caguei de tanto rir às cinco vezes. Sim, o que você tem com isso, não é mesmo? É claro, nesse exato momento estou vendo de novo.

"Jebediah feeds the chickens and Jacob plows… fool"

É poesia, cambada!

Update: Julio Cesar Cu, o mexicano cata bosta.
Update 2: vá ao Youtube e digite Chad Vader. Assista tudo e mais um pouco.

Gone, baby, gone - Dennis LehaneDecember 20, 2006 7:15 pm

Eu estou sem texto. É sério, vocês podem perceber pelas últimas produções desta joça. Quando eu volto a encarnar o Júlio chato dos blogs de antanho, é porque eu estou pensando merda. Ou melhor, penso merda nenhuma. Hoje mesmo estava aqui, olhando para o monitor, pensando em fazer um top five das cinco mulheres mais filhas da puta. Desencanei porque a lista pede 15. Não, eu não cheguei à 15 mulheres. Mas as bicas, pseudo-pegadas e punhetas contam, sem dúvida.

No começo do período blogsome, eu estava em estado de epifania. Eu escrevia merda com classe, uma coisa dessas. Foi desgastando, desgastando e hoje eu fico esmolando um texto para um pobre hidrocefálico. É dura a vida de pobre e deficiente na tal da blogosfera.

Posso até levantar uns panos aí e tungar uns posts, tá ligado. Chegar no playboy e pedir logo o pisante. Pô, o Zé Simão rouba textos e publica na Folha, por que eu não? Só porque o cara é biba? Eu não dou o brioco, mas comi menos mulher do que muito viado por aí. Salvo conduto, cazzo.

Tá, vou fazer o seguinte, vou escrever o que vier, sem editar, sem mexer em nada. Fica uma bosta, claro que sim. Mas se você não quiser ler, vai comprar presente de Natal para a família e vê o quanto é divertido. Vai, anda!

O famoso "quem indica"

- Cara, você já pegou toda a mulherada do escritório?!
- Opa, Amandinha, Flavinha, até a Dona Neusa. Sobrou ninguém para contar história.
- Mas porra, tu é estagiário. Tem de ficar aqui o dia todo desentortando clipes, tirando xerox, essas coisas…
- Ah, eu dou meus pulos né… e outra, não preciso desse trabalho pra viver.
- Não?
- Claro que não, eu sou podre de rico.
- E tá fazendo o que aqui?
- Ah, eu venho comer a mulherada, mas ninguém acredita.
- Que você é podre de rico?
- Não…
- Que você come a mulherada?
- Não…
- Não acredita no que então?
- Que eu tiro cópias tão perfeitas.

Ele correu para falar com o chefe.

- Pô, quem contratou o moleque?
- Eu, é meu filho…
- E puxou o pai, de tão competente!

Deixou a sala com sentimento de dever cumprido. Se falasse do estagiário, seria enrabado pelo chefe. E não sabia se tinha um lance hierárquico ou não na história do moleque. Quem tem fama, deita na cama. Quem não tem, rebola na cabeceira dela, doendo ou não.

Viu, ficou uma merda.

Gone, baby, gone - Dennis LehaneDecember 18, 2006 7:21 pm

A gente não lembramos mais da bengala de Ives, o bom velhinho que deu nos cornos do Zé Dirça. Aliás, nem lembramos mais do Zé Dirça. Eu abandonei layout foda de bonito por causa dele, visto que o blogger, entidade governista, não deixava eu falar mal do Pedro Caroço.

Agora uma mulher na Bahia furou o bucho do ACM Nato. Tá aqui ó, para deleite, orgasmo e vontade de muita gente. São as novas armas da República, a bengala e a faca. Quando os vagabundos resolvem duplicar os próprios salários, dá nisso. Nego finge que é um assalto quando, na verdade, é combate a um assalto. Vá lá que a distinta foi para cima do Pequeno ACM só para dar de comer para a criançada. Vá lá que foi para comprar droga, ou um CD da Daniela Mercury, dá no mesmo. Importante é o alvo, não o intuito. Rasgar o bucho do ACM é como ver o bom velhinho realizando o sonho de Natal de muita gente. Para quem não acredita, olha aí a prova de que ele existe e mora no Brasil. Aliás, está fodido por isso. Prefere a Lapônia.

E do aumento, tem a máxima de José Múcio, dePUTAdo do PTB, aquele mesmo, de Pernambuco. Diz ele, sobre o aumento:

"Se não tiver aumento, vai haver uma fuga de cérebros.".

Tem outra também, de Gilberto Carimbão, do PSB - Partido SOCIALISTA Brasileiro, de Alagoas:

"Acho que ganhar bem não faz mal a ninguém, não é desonra.".

Daí você pega as duas declarações e casa. O cérebro de Carimbão (nomezinho filho da puta), se fugir, mal será enterrado como indigente, quando achado morto. Se é que um dia uma merda dessas viveu. Valei São Sérgio, de lá do céu verde catarreado (e foda-se se catarro conjuga verbo ou não):

"Povo bunda, País bunda, Legislativo bunda.".

É, Serjão. Uma grande merda.

Gone, baby, gone - Dennis Lehane 2:08 pm

Pouco foi dito sobre futebol neste blog, durante o ano de 2006, por razões não tão claras. Não, o Corinthians não merece o silêncio por conta de um ano pífio, pelo contrário. Cada vez que essas coisas acontecem, o nosso corinthianismo cresce mais e mais, sem dúvida. Pode-se, talvez, culpar os passeios que este resolveu dar por diversas áreas da literatura, sem resultado concreto. Brincou-se de clássico, de policial, de um monte de coisas. Fato é que a incapacidade de se escrever sobre futebol, apesar de gostar fervorosamente do esporte, pode ter sido o fator determinante. Enfim, a culpa não é do Timão.

Porém ontem, ao acompanhar as comemorações pelo título do Internacional de Porto Alegre, não pude deixar de me sentir um pouco contente pela constatação óbvia de que os times europeus, por mais que insistam em levar nossos craques como se fossem cana de açúcar para a Metrópole, jogam bem menos do que os "shows" apresentados na ESPN e afins contra os sul-americanos em geral, brasileiros em especial.

Impressiona como até os craques do continente se perdem quando jogam contra o pessoal daqui de baixo. Ronaldinho Gaúcho, por exemplo, é um gênio. A ele só falta uma coisa, que sobra em grandes craques da história como Pelé, Cruyff, Beckenbauer, Puskas e mais um tanto: falta-lhe objetividade. Alguém pode dizer que Garrincha não o tinha, e eu digo que Garrincha não existiu. Era uma criação do imaginário futebolês, uma mágica que nunca veremos igual e que todos os citados acima, incluindo o "um tanto", se somados, não chegam próximo do que fez o moço das pernas tortas. Enfim, retomando, Ronaldinho Gaúcho inexistiu ontem pelos vícios táticos da Europa que, em tempos de globalização futebolística, resolveu apelar para o individual esquecendo de seus grandes escretes táticos, aqueles que mais pareciam os exércitos de outrora, como a Holanda do Carrosel e a Alemanha do Kaiser que bateu a citada.

Ano passado deu-se a mesma coisa. O São Paulo, com plantel inferior ao do Liverpool, passeou em cima dos ingleses em um estilo de jogo que, historicamente, é deles: faz o gol e põe onze na cabeça da área, tal qual Stalingrado contra os nazistas. Mesmo Gerrard, um dos jogadores que melhor bate na bola nos tempos atuais, não conseguiu furar o ferrolho tricolor que, como se não bastasse, ainda dava seus pitacos lá na frente à cada vinte minutos. O Inter teve até mais brio do que o São Paulo, atacando um pouco mais. E tem um fator que eleva ainda mais o título: o fato de ser contra o Barça, o time mundial que mais deveria nos remeter ao futebol de casa. Não, eles continuam sendo europeus atuais, a criação maldita do futebol de um homem só, onde se contrata vários craques para que um deles resolva o jogo, onde o coletivo é lembrado por alguns passadores como Deco e o próprio Ronaldinho, que lançam o Eto’o velocista área adentro para um drible espetacular ou algo do tipo. Lindo de se ver, ótima cena em câmera lenta. Mas nenhum deles é tão companheiro de clube quanto Yarlei, que dribla, olha e, em uma demonstração de confiança no coletivo, passa para Adriano Gabiru, matando metade da Torcida Colorada do coração pelo passe e outra metade quando o gol sai. Sim. dá para morrer de alívio também.

O Inter fez ontem, assim como o São Paulo de outrora e o Santos de tempos remotos, aquilo que faz do futebol um esporte tão apaixonante quanto estranho: ele derrubou um gigante que usando de armas nossas e armas deles, não consegue derrubar a colônia. Mesmo porque isso é papel para o Ricardo Teixeira e para diretorias como a do Corinthians, esses sim Zidanes, Ronaldinhos, Kakás e Cannavarros no que diz a vencer os clubes e o futebol brasileiro.

Parabéns ao Internacional, que ontem tirou o título de melhor do mundo do Barcelona e dos são paulinos. E parabéns a torcida, que faz a festa em uma avenida chamada Goethe. Só o nome já vale a ida.

Gone, baby, gone - Dennis LehaneDecember 14, 2006 3:49 pm

Existem alguns sonhos de Natal que não podem ser realizados.

A Monica Belucci, por exemplo, vai virar 2006 com Vicent Cassel e ponto. Não adianta, é produto intangível, que não pode ser comprado. A maleta do 007, com todos os 20 filmes em edição dupla e remasterizada, só se eu ganhar na Mega-Sena. Custa a bagatela de R$ 1.400. É linda, é prateada, é com segredo, tem quase todos os filmes (para completar, faltam apenas os dois Cassino Royale, o autorizado e recém-lançado e o underground com Woody Allen como vilão!) do agente a serviço de sua majestade. Outra coleção que anda fazendo este babar é aquela que vem com as cinco temporadas de 24 Horas em uma caixa de madeira. No melhor estilo "doação de comida da ONU", vem com uma plaquinha com o número 24 em cima, que brilha no escuro! Custa só R$ 900, menos de um mês de sálario, mais de um ano de fome. Eu sei, eu já tenho duas temporadas, obra e graça da Lilhoca, mas mesmo assim sonhar não mata ninguém.

Outros, atingíveis, pecam pelo pouco apelo visual. Exemplo disso é o livro "Dentro da Floresta", de David Remnick. Custa R$ 62 e reúne 23 textos com biografias de Al Gore, Mike Tyson, Philip Roth, Benjamin Netanyahu, além de reportagens sobre o furacão Katrina. Como se não bastasse, é da cobiçada coleção Jornalismo Literário, da Cia. das Letras. Mas paremos um pouco para pensar: em um país como o Brasil, carente de leitura da boa, vender um livro por R$ 62 é o mesmo que vender oxigênio à R$ 10. Então é negócio esperar dois anos, quando algum leitor desvairado e usuário de crack passa no Sebo mais próximo para vender sua edição novinha por R$ 15, e o estabelecimento passa a vender o livro por R$ 30, preço mais do que aceitável. Tem ainda outro, do Norman Mailer, "O Super-homem vai ao supermercado", que trata das convenções políticas de Democratas e Republicanos nos anos 60 é custa só R$ 48,50. Esse está na mão até o mês que vem, e foda-se o Sebo. Ou ainda "Jazz Branco", do James Ellroy, que gira na casa dos R$ 60. Sem contar outros livros do autor como "Meus lugares escuros" e "6 mi em espécie". E a lista aumenta para Dennis Lehane, George Orwel, Kapucinscky, Ridley Scott, Milos Forman. Mas vou acabar mesmo comprando Fifa Street à R$ 10 na lojinha de cd’s piratas para Playstation 2.

À merda! Eu devia ter nascido cego e analfabeto!

PS: A emoção foi tanta que eu cometi um equívoco: Orson Welles é o vilão Le Chiffre na paródia de Cassino Royale. À Woody Allen coube o papel de Jimmy Bond. O filme ainda conta com Peter Sellers, Peter O’Toole, Ursula Andress e um dos diretores da película é John Huston, pai de Angelica Huston.

PS2: Zander avisa: "a serviço de sua majestade" não tem crase, sua besta! Obrigado.

Gone, baby, gone - Dennis LehaneDecember 13, 2006 3:40 pm

Contos de Natal do Imperador.

Personagens:
Júlio César é o Café.
Consciência de Júlio é a pseudo-consciência de Café
Banco da quadra é o lugar onde Café dormiu.
Rafa é o Poeta.
Rafael é o Tropeço
Gordão é o Gordão.

Noite de Natal, duas da manhã, banco da quadra:

Café:
Misericordiosa seja,
dentre todas as forças da natureza,
aquela que agora me inebria,
escondida em uma garrafa de cerveja.

Pseudo-consciência:
Não tema, grande cabeça,
a manhã a dor será pior,
da próxima vez te lembre,
dos goles, sempre o menor!

Café:
Torpe e vil consciência,
que agora fala por mim,
permita que a loira não lembre,
que coisas expeli até o fim!

Banco da quadra:
Não mais me amolem com este assunto,
apenas deite e durma,
pare de conversar consigo,
e deixe envolver-se pela bruma.

Café:
Maldito és tu, banco da quadra,
que a cada hora que passa,
faz-me doer as costas, a arder em brasa.

Chegam Poeta, Tropeço e Gordão.

Poeta:
Não mais tremei de frio, nobre amigo,
trouxe tua túnica e ainda lenha,
e desta faremos fogueira,
com o ar que bafejas.

Tropeço:
Vejam, meus caros,
a decadência do homem,
até há pouco era apenas infame,
agora jaz como inhame.

Gordão:
Devemos medir as palavras,
para que não fiquemos desprevenidos,
antes Café aqui neste banco,
do que coado em algum jazigo.

Café:
Nobres amigos, que muito alegro-me em ver,
dêem-me este elixir para o mal que me aflige,
façam cessar o rodopiar das estrelas,
façam com que deste banco não me atire.

Pseudo-consciência:
Parem com as rimas bestas! Alguém trouxe Engov e Eparema?

Poeta, Tropeço e Gordão, em coro:
Nobre consciência amiga,
não mais deves te preocupar,
trouxemos bálsamo, ouro e mirra,
para que sua estrela volte a brilhar.

Pseudo-consciência (já para lá de Marrakesh):
Que porra, vocês são os Três Reis Magos?
preciso logo parar de beber,
ou, pelos romanos, serei caçado!

E no outro dia acordou rimando. Nunca mais, ele disse, nunca mais, meu irmão. Nunca mais, repetiu, nunca mais, pinga com limão.

Gone, baby, gone - Dennis LehaneDecember 12, 2006 3:46 pm

- Esmolinha para um pobre faminto?

O João havia perdido tudo. Uns diziam que foi por causa da ex-mulher. Outros, que foi o jogo. E tinha gente ainda que culpava o álcool. Quando os três tipos de pessoas se reuniam, João sofrera as Dez Pragas do Egito.

- Senta aí rapaz!
- Tudo bom João?
- Um pouco de fome, mas tudo bem.

O Murilo era um dos camelôs do centro da cidade. Como a barraca dele andava de mal a pior, com o artesanato perdendo feio para as novas tecnologias, ele "ganhava um pouco de tempo", como costumava a dizer, conversando com o João.

- Toma aí, tenho uns pães de queijo aqui.
- Valeu. Esmolinha para um pobre faminto?
- Vi o Dogville ontem rapaz. Bom pacas!
- Também achei, bem minimalista, mas com muito a dizer. Eu sou fã do pessoal do Dogma.
- Eu também, apesar de não gostar da Björk.
- Eu queria ir ver os três mexicanos, mas o ponto aqui tá muito fraco.
- Putz, o Cuarón é foda!
- E o Iñarratu, à merda aquele cara! Esmolinha para um pobre faminto?
- Cara, e se você parasse de pedir dinheiro por conta da fome? Você usa toda sua grana com cinema e livros mesmo?
- Ah, mas aí não comove. Outro dia eu pedi dinheiro para comprar o novo do Saramago, e uma senhora disse que eu ia tomar "O livro de ouro da cachaça".
- O pessoal parte do princípio de Oscar Wilde, onde o assistencialismo emburrece. Talvez deveríamos criar o assistencialismo cultural.
- E aqui na Paulista ninguém quer nem saber. O cara do teatro, coitado, vai de mal a pior.

Alfredo era um dos muitos rapazes conhecidos como "você gosta de teatro?", mais rechaçado do que os hare krishnas, apesar do guarda roupa ortodoxo e nada laranja.

- Pois é. Paulistano é tudo inculto mesmo!
- Ou o teatro de São Paulo é uma merda?
- Merda e caro, por sinal.
- Se bem que eu vi uma adaptação do Mercador de Veneza muito boa!
- Viu? Onde?
- Pela frestra do Teatro Abril. Mas nunca enxergava o Antônio, porém o ator que fez o Shylock valia o ingresso não pago.

Uma senhora passou e jogou dois reais. João olhou para o chapéu, a avisou o amigo Antônio, antes de despedir-se:

- Bom, vou lá ver do 2046, o Kar-Wai.
- Caceta, não viu ainda?
- Não vi, me deu fome.

E um tanto desequilibrado, foi andando em direção a algum cinema que não importasse com seus trapos. Mesmo sabendo que o resto do mundo não tinha o senso crítico dele.

Gone, baby, gone - Dennis LehaneDecember 8, 2006 9:25 pm

Lembra do Thundercats? E da música do Ducktales? E o "I have the power", que He-Man gritava em terras gringas. E a inebriante música-tema do Inspetor Bugiganga, que empolgava antes mesmo do desenho começar?

Se lembra, então clique aqui. Eu voltei, no mínimo, dez anos. O poder é de vocês!