Graças a brilhante idéia da Lilhoca, temos aqui o post secreto, onde escrevemos qualquer coisa sobre a pesoa que tiramos após sorteio. Eu sei, não tem aquela sapecagem dos amigos secretos da firma, onde você reza para a secretária gostosuda beber muito mais do que pode e, assim, esquecer que você é o cara que tira xerox. Mas eu garanto que os textos do pessoal da Blogagi farão justiça aos escritores que o blog possui. Esse aqui, já de cara, mostra que não faz jus ao quão gente fina é meu amigo secreto deste ano.
Questão de Bat-ordem, senhor bat-juiz!
O advogado chegou em cima da hora. Ainda tinha, preso à mão, o controle do Wii. Reza a lenda que Scheila Carvalho o queria. Mas ele queria o Wii e ponto. O terno preto com riscas brancas contrastava com o roxo do paletó de seu cliente. E ele não entendia o porquê daquela flor tão bizarra na lapela.
A experiência advertia que ele não deveria cumprimentar seu cliente, em hipótese alguma. Acenou com a cabeça e estranhou o novo corte de cabelo, o verde desgrenhado dando lugar a uma careca branca que chegava a brilhar. A voz do juiz retumbou:
- Eu sou o Juiz Dredd. Eu sou a lei. Advogados, venham à tribuna, por favor.
Matt Murdock, o advogado de acusação, tropeçou no primeiro degrau que dava acesso à tribuna do juiz. Coringa, o acusado, quase morreu de rir. Batman cerrou os dentes.
- Senhor advogado de defesa, seu cliente se considera culpado ou inocente?
- Inocente, Juiz Dredd!
Outro ataque de riso do Coringa. Pingüim, sentado na cadeira de trás, colocou a pata em seu ombro. Duas Caras não sabia se ria ou se fazia careta.
- Que entre a primeira testemunha! – disse o juiz.
Instantes depois, o advogado de defesa fazia sua primeira pergunta.
- Onde você estava no dia 22 de janeiro deste ano?
- Miau, miau, miau!
Batman fez um bat-sinal ao advogado de acusação, que não viu nada. Murdock, vulgo Demolidor, acabou protestando, dizendo que a Mulher-Gato, foragida da lei, não poderia depor naquele tribunal. Audição ele ainda tinha.
- Senhor Juiz Dredd, pode notar que não se trata da Mulher-Gato, e sim de Arlequina, conhecida do injustamente acusado Coringa, o Joker, o Palhaço.
Um burburinho seguiu logo depois do nome da cúmplice de Coringa, o Joker, o Palhaço, ter sido citado. Apesar disso, Arlequina lambia tranqüilamente as patas, como se nada estivesse acontecendo. Queria apenas um bom pedaço de atum. Ou de picanha.
- É algum tipo de brincadeira, advogado?
- Que brincadeira, Meretíssimo Juiz Dredd?
- Tomar depoimento de uma gata?
- Senhor Juiz Dredd, Selina Kyle pode nos auxiliar como escrivã, não pode?
A roupa de couro da Mulher-Gato parou o tribunal, aguçando libido e superpoderes dos presentes. Menos, é claro, de Robin. Ele era o mais bat-indignado, pois o Homem Morcego a secava sem misericórdia.
A imprensa compareceu em peso para a cobertura do evento. Superman voou do Planeta Diário para Gotham. Homem-Aranha fazia tomadas únicas do teto do tribunal, apesar das investidas de Venom pela melhor foto do “julgamento do século”, conforme o Homem de Aço escrevera dias antes.
Tomado o depoimento de Arlequina, foi vez do Demolidor chamar sua testemunha. A porta do tribunal, de repente, virou farelo, os tocos voando em cima da platéia. Um homem, que mais parecia com uma montanha, atravessou correndo o tribunal e só parou na frente do Juiz Dredd.
- É o julgamento de Charles? Cheguei na hora certa?
- Eu sou a Lei! E você, quem é?
- Juggernaut. Quem é o réu aqui?
- Coringa, o Joker, o Palhaço.
- Bah, DC fede!
E tão rápido e avassalador quanto veio, ele saiu, levando um pedaço imenso da parede do tribunal.
- Droga, Bola de Pêlos, porque ele não entra como uma pessoa normal? – indagou Wolverine ao Doutor Hank.
- E eu lá sei? Ele é um mala, rapá… – respondeu o Fera, pendurado de cabeça para baixo no teto do tribunal.
O julgamento se arrastou por horas, enquanto o júri analisava meticulosamente o caso de Coringa, o Joker, o Palhaço, entre um cochilo e outro. Poucas 36 horas depois, Juiz Dredd deu o veredicto final, embasado na escolha do júri:
- O acusado Coringa, o Joker, o Palhaço, é inocente, segundo o júri. Declaro essa seção encerrada. Senhor Coringa, pode comparecer ao Asilo Arkham para retirar seus pertences. Eu sou a Lei!
Batman tentou fazer Justiça com as próprias mãos, mas Robin as segurava com força. Fez um bat-sinal para o Demolidor, que mais uma vez nada viu. Coringa, o Joker, o Palhaço, sorria para seu advogado e estendeu a mão, em reconhecimento a vitória.
- Obrigado, meu caro!
E o advogado o cumprimentou, recebendo uma descarga descomunal de volts.
- Filho da puta! Enfia essa mão no cu, véi! No cu!
