O Evangelho Segundo Julius CaesarJuly 21, 2006 8:06 pm

Pouca gente sabe, mas o Jardim das Oliveiras (atual Praça do Pôr do Sol, em Pinheiros) nada tem de edificante, tal qual a Bíblia conta. Versa a lenda que o lugar, na verdade, era um grande ponto de fumo da rapaziada, incluindo nosso saudoso Jota Cê, que por sinal fazia a alegria do povo transformando capim em marola.

Quando se deu o lance todo do Jardim das Oliveiras, a patota divina estava lá fumando unzito, afinal de contas, era sexta-feira. Tudo muito bom, tudo muito bem, e Jota Cê resolve conversar com a galera coisas importantes sobre a vida e o mundo:

- Meus irmãos de fé, onde vocês arrumaram essa porra dessa seda ruim?

- Pô Jota, mal ae véi, passei lá na padoca do Salim e era a única que tinha… - respondeu Matheus.

- Caraleo! - exclama Jota Cê, dando início à reza - Pai, meu querido pai, peço desculpas pela incompetência de Matheus. Ó Pai, todo misericórdia, providencie para que seu filho possa, em verdade vos fumo, apreciar de tão rara iguaria divina.

E então as folhas de bananeira, após tal ato de fé, ficaram como seda.

O maior problema para os fumetas é que Pilatos, além de asmático, era inimigo declarado do consumo de entorpecentes. Algo próximo de um Conte Lopes, só que com saias e sandália. Sua luta contra o consumo de drogas era tão ferrenha que o governor ficou famoso pela célebre frase, aqui em latim:

- Fumetus filhus de putus est, cadeius merecis est!

Além de Pilatos, os sacerdotes judeus não viam com bons olhos o comércio amigo de Jota Cê. Caifás, mais conhecido como Beira-Oásis, era um notório comerciante de ervas finas, sendo inclusive sócio de um romano proeminente na época, Pablus Escobarius, o temido chefe do cartel do Lácio (atual Pirituba).

Apesar de todos os revezes, os Apóstolos de Bob Marley não largavam por nada o cigarrinho do Capeta. Então, naquele dia, no Jardim das Oliveiras, o próprio resolveu aparecer para reclamar dos royalties e afins:

- E ae moleque, beleza?

- Carai véi, é o Demo em pessoa! - exclamou um surpreso Jota Cê.

- Não teu puto, é a Armada Espanhola! Escuta só, negócio é o seguinte: tô ligado que andam vinculando meu nome a essas parada aí que cêis fuma e eu sei que o Beira-Oásis ganha uma grana boa no lance, mas descobri que tu fabrica meu cigarrinho num piscar de olhos, procede?

- Firma, mano do Mal…

- Pois então, quero uma grana nessa parada ou tu acorda com a boca cheia de formiga véi!

- Mas isso é uma coisa Divina rapá, coisa do meu Pai, não tem como vender…

- Se vira, nóia! Te dou cinco minutos! CINCO MINUTOS! Tô com os romano na linha aqui, e se o Pilatos te pega tu vai pra cruz!

- Perdoai-o Pai, ele não sabe o que fuma…

Jota Cê, apesar de todo poder, não estava afim de ceder uma grana pro Demo. O Pai também não atenderia, afinal de contas subsidiar a concorrência por conta dos vícios do filho atrapalharia e muito os negócios do Céu.

Cinco minutos depois, o exército Romano chegou ao Jardim e levou todo mundo em cana por tráfico, exceto Judas, que já havia fumado tudo o que tinha e não portava sequer a ponta.

Os romanos limparam Nazaré, Galiléia e afins das drogas até o dia em que o reagge chegou, com o sucesso Centurius Soldiers e Legalize est de Crassus Marley e Petrus Tosh, respectivamente. Depois deles, o Império Romano caiu e a geografia mundial mudou, dando início à uma nova civilização que não lavava os cabelos: a Jamaica.

Mas isso é outra história.

O Evangelho Segundo Julius CaesarJuly 12, 2006 12:36 pm

Andando pelas planícies de Canaã (atual Penha), Pedro, Matheus e João, bem guarnecidos do vinho da Galiléia (atual Jardim São Lucas), cantavam:

- O Judas é um companheirô, o Judas é um bom companheirô, o Judas é um bom companheiiiiirô… ninguém pode negar!

Nisso chega Jota Cê, e vai logo dando fim à homenagem:

- Bom companheiro um caraleo! Ele vai me trair por trinta dinheiros!

“Ih, lá vem o chato” pensaram o três. Estavam de saco cheio daquela história toda de filho do Pai com o Espírito Santo. Achavam tudo muito gay.

- Pô JC, dá um desconto pro Judas. O cara é maior gente fina. E outra, nós é parceiro na cachaça. Aqui ninguém é dedo de seta não, tá ligado?

Chega Lucas e percebe o clima de animosidade no ar. Tenta sair pela tangente:

- E ae rapaziada, firma? Seguinte, vai rolar um partido alto lá na Judéia (atual Largo da Batata). A gente podia ir tomar umas, depois dar uma sambada, pegar umas mina e tal? E ae?
- Pô irmãos, ia chamar vocês agora pra comer um pão com vinho lá em casa…
- Ah Jota Cê, é sempre um saco as reuniões na tua casa. Você sempre vem com aquele negócio de filho do Pai e tal… – protestou Matheus.
- Perdoai-vos Pai, eles…
- Lá vem ele de novo com essa porra toda! – interrompe Lucas
- Madalena vai? Madalena vai? Madalena vai? – perguntou Pedrão, sempre doido pela Madá.

Acabaram indo, os doze manos do maluco de Nazaré (atual Vila Menck), à casa de Jota Cê para comer o famoso pão da Dona Maria. Todo mundo meio entediado, doido para ir chacoalhar as ancas. Jota Cê resolve que é hora de animar a patota divina:

- Ae, tô com o CD novo do João Gilberto… vamô por pra rolá?

E todos se perguntando por que diabos aqueles caras não estavam padecendo na cruz. Tanto Jota Cê quanto João Gilberto.

Após o jantar na casa do Jota, Pedrão, Matheus, João e Judas iam para casa, quando o primeiro teve a idéia que mudaria a história:

- Judas, tu topas dar um pipoco no Jota? Judas, tu topas dar um pipoco no Jota? Judas, tu topas dar um pipoco no Jota?
- Quanto morre na parada? Além dele, é claro?

Judas era o Jerry Seinfeld da época, cabe notar.

- Trinta dinheiros, mais dois milhões de dólares em títulos do governo americano, ao portador…
- Trinta dinheiros, mais dois milhões de dólares em títulos do governo americano, ao portador…
- Trinta dinheiros, mais dois milhões de dólares em títulos do governo americano, ao portador…

Pedrão sempre repetia três vezes as coisas, sabe-se lá por quê. Alguns dizem que era delirius tremens. Outros, que a culpa era da Madá.

- Bôra!

Só que Judas era um cara esperto. Já tinha se comprometido com os romanos e, por trinta dinheiros, além de uma casa no Lácio (atual Pirituba), havia prometido dedurar Jota Cê para o governor romano na Terra Santa, Pilatos Schwatzemberg.

Aconteceu que os romanos pegaram Jota Cê no Jardim das Oliveiras (atual Jardim dos Cunhas) levaram para o morro mais próximo, passando pela Via Crúcis (atual Rodovia dos Imigrantes) e deram com o crucifixo na cabeça dele. A história causou comoção nacional, menos para Pedrão, que assistia indignado:

- Judas fela da puta!
- Judas fela da puta!
- Judas fela da puta!

E até hoje Judas vive - podre de rico - na Riviera Francesa (antiga Gália).