Ok, é um filme coreano com um "bagre" gigante. A merda toda acontece na época em que as pessoas prestavam atenção na Coréia não por causa dos sucessivos (e sucedidos) roubos em Copa do Mundo, mas sim por causa da zona desmilitarizada que separa a Coréia do Sul da Coréia do Cabeludo Doente com Voz do Eric Cartman (é, o Kim Jong-Il). Pois bem, temos um cientista americano e um coreano.
- Eles estão em um avião? Se sim, já ouvi essa…
Some. O médico americano é tipo o Roberto Carlos. Não, ele não manca nem censura livros. Ele tem problemas com Transtorno Obsessivo Compulsivo e, quando vê poeira (levaaaaaaantou poeira!) nas garrafas de formol, ele não pensa duas vezes.
- E bebe tudo, né?
Não, ele manda o coreano jogar no Rio Han, o Tietê deles. O coreano ainda tenta argumentar que a coisa não é assim, que coreanos bebem aquela água, que "a 25 de março fecha se morrermos", mas o médico americano não está nem aí e manda dar fim nas 345 garrafas de produtos químicos.
Em suma, deu merda. Cerca de quinze anos depois, o tal bagrão emerge do Rio Han e toca terror nos olhos puxados. Até aí tudo bem, você já viu tudo isso antes. Só que O Hospedeiro dá um upgrade no conceito de filme de monstros para mostrar que a coisa está além do "bichão faz o povo correr o povo corre bichão se apaixona por algum humano bichão morre". Em primeiro lugar, temos uma espécie de versão coreana da família de Pequena Miss Sunshine no elenco. A menina gente fina, o pai absurdamente retardado, o tio bêbado, a irmã arqueira que perdeu uma medalha de ouro por burrice e o avô gente boa, no melhor estilo Vovô e eu. Nas margens do Han trabalham o avô, o pai blogueiro e a filha esperta, quando o "bagre" surge para um café da manhã rico em proteínas. A coreanada corre, o Homer Simpson do Oriente acaba deixando a filha para trás e aí se desenvolve a trama na luta da família para rever a pequena Josefina (cansei de nomes coreanos).
Até aqui você diz "Júlio, sua besta, eu já vi tudo isso, sei lá, no Godzilla!". Pode até ser, mas a paranóia criada pelo bicho nas entidades coreanas é uma impagável crítica. Entre um surto de gripe a vírus mortal, passando pelo possível uso do agente amarelo na população, fica no ar aquela sensação de vai dar merda que todo país que possui uma zona desmilitarizada pode oferecer. Se não é o bagre hoje, pode ser o Cartman Kim Jong-Il amanhã. E vamos combinar que ele é menos bem apessoado que o bagrão. Algumas cenas são tão hilárias que você só pensa que um remake é possível se o Peter Sellers voltar do Inferno para fazer o filme. E a cena final é de uma ilustração sublime do pânico que deve ser morar na Coréia. Em suma, um filme de terror que diz mais sobre a cabeça do aterrorizado do que o elemento que causa o medo. E um aviso que não víamos desde o célebre Alligator: suas bestas, não joguem qualquer merda pelo ralo.
Para ver: com vontade de comer churrasco.
Vale: a entrada. E se tiver um porção de manjubinhas, jogue no lixo, não na privada.
Nota: de zero a dez, oito e meio. De um trilhão à um trilhão e dez, um trilhão e oito e meio. De um aquário de cinco a um de 200 metros, compre o de 200.

Um bagrão é o que vai comer você quando vc cair do barco no Rio de Janeiro. E nem me venha dizer que bagre é de água doce. Esse aí é mutante.
Comment by Gabi — May 21, 2007 @ 11:11 pm
É um filme com um bagre gigante.
Eu não preciso de mais nada pra saber que isso é uma bomba.
Agora imagine um spin off: Poseidon x O Hospedeiro?
Comment by Eric — May 22, 2007 @ 3:21 am
Estou pensando em fazer : “O monstro do Lago Ness, versão do curioso”. O que vc acha?
Comment by Bruno — May 22, 2007 @ 12:25 pm