O Pedro estava impaciente. Já tamborilava com os dedos na mesa quando o João chegou, todo cheio de dedos:

- Pronto, tá feito.
- Assim, com essa má vontade toda?
- Ah, eu não gosto dessa situação…
- Você se importa?
- Sim, é… é… é de uma maldade sem fim.
- Mané maldade o quê! Aí, sabia que a cada minuto cinco pessoas morriam durante o genocídio de Ruanda. E você vem me falar de maldade, pô! Ninguém nunca se sentiu sequer mal pela porra toda lá.
- Ah, eu me sentia mal por Ruanda.
- E fez o quê? Jogou um saquinho de arroz quando aquela sua viagem sei lá para onde fez escala no Zaire?
- Não…
- Pois então! Eu te conheço, rapá. Você não sente remorso! Você seria capaz de vender álcool Zulu para os nazistas na Segunda Guerra!
- Tá bom, tá bom. Me dá a grana.
- Viu, é disso que estou falando.

O Pedro contou, recontou, deu mais uma conferida e entregou.

- Tá aqui.
- E tá errado!
- Como assim?
- Pô, o acordo era o dobro disso!
- E?
- E que você tem de me dar o dobro disso!
- Bah, vai chorar por migalha?
- Vou!

E então o João sacou a .45 e deu um tiro em cada joelho, além do fatal no peito.

- Taí, pra você andar mancando no Inferno, muquirana desgraçado. E só para ir puto da vida, eu fiz seu layout todo esculhambado e os links estavam todos errados!

E dito isto, saiu do bar. Não sem antes dar uma esmola ao mendigo mais próximo, para expiar seus pecados perante o Grande e Todo-poderoso Google.