A Dona Morte anda aprontando alguma coisa. Não é possível que, no espaço de uma semana, Boris Yeltsin e o Doutor Enéas Carneiro tenham ido desta para aquela outra assim, sem nenhuma explicação plausível.
Trecho para viagem surreal deste que vos fala: imagino que quando chega a hora, A Morte, como qualquer funcionária pública, vem de prancheta na mão para preencher um simples formulário. Sabe como é, morre gente pra Diabo, e o Hômi não deve ter cabeça para guardar tudo. Nem o Google tem, cazzo! Pois bem, chega lá A Magrela, tira a tampa da ponta da foice, olha para aquele senhor mirrado, tadinho, e lasca a pergunta:
- Nome, por favor?
- MEU NOME É ENÉAS!
A Morte quase morre, porque o velhinho era foda com esse negócio do nome.
Voltando à vaca fria, ou melhor, ao presunto, vale lembrar que ela, A Morte, já tem por lá o Jânio e, creio, o Figueiredo também. Pô, ele disse para o esquecermos, então eu nunca lembro se o Figa morreu ou não. Tem ainda o Covas, o Reagan, o Kruschev. Tem político engraçado pra diabo (com trocadilhos, por favor) lá.
Aí você diz, "pô Júlio, mas eles estavam fazendo hora extra no mundo!". Não posso deixar de concordar: o Boris bebia mais álcool do que todos os carros Lada do planeta e o Enéas era mais frágil do que o joelho do Pedrinho, do Santos. Mas mesmo assim, o ACM taí, ô tum, tum, bate coração e o coração do homem não bate. Mesmo assim ele ainda viveu para poder contar que já viu o Suplicy cantando "Um homem na estrada" em uma sessão parlamentar. Ou o Malufão, que come todo dia aquele raio daquela kafta e não bate as botas mais cedo. Sem contar o Jader, que já se entupiu de rã (pescou? Pescou?) e não foi embora.
Mas a grande merda é que quando políticos como o Boris ou o Enéas morrem, todas as suas convenções vão por água abaixo. Eu, por exemplo, que desde bobo militava pelos comunas, que sonhava com a volta da União Soviética e o escambau, deveria vibrar com a morte do Yeltsin, mas não consegui, como pode ser visto alguns escritos abaixo. Com o Doutor Enéas então, nazi de carteirinha e famoso pelo projeto da bomba atômica, eu deveria ter aquele tipo de asco que temos, o mundo todo, pelo chopp Germânia ou pela Telefonica. Mas, ao contrário, fico só aqui pensando que todo esse pessoal de programa de ajuda, tipo AA e que tais, nunca mais deveria proferir as palavras "meu nome é", uma vez que para tal, só existe um nome: Enéas.
E as perguntas não querem calar: o que será de Malek agora? Morreu Enéas por conta de uma olhada no espelho durante o pós-barba? Será que a traição de Dona Havanir, que deixou para trás nosso pobre Gollum e se bandeou para os lados do Serra Vampiro Brasileiro, acabou com o fio de vida que segurava Enéas? Cadê o Oliver Stone numa hora dessas?

- Oi, meu nome é Gabi e eu não sei se o Figueiredo morreu.
- Oi, Gabi!
Comment by Gabi — May 7, 2007 @ 8:45 pm
Eu acho que a morte vem aqui dá uma olhada e busca um bocado de gente que ela percebe que já devia ter ido há um tempo, mas daí qdo ela se toca que ainda falta a Dercy, percebe que não cabe no saco e deixa pra outra. E assim a velha tá com 100 anos… (sim, eu SEMPRE tenho que citar a Dercy)
Comment by Raphaela — May 7, 2007 @ 8:52 pm
Eu estava pensando sobre isso um dia desses. Pq não vai o ACM, o Collor, esse pessoal que não presta.
Tudo bem que o Collor nem tá tão velho, mas ele não presta mesmo assim.
Comment by Bruno — May 8, 2007 @ 1:39 pm
Po, que peninha eu estar fora do meu Brasil, mais, o amigo que escreveu sobre o Eneas, esteve mara-vilhoso, ra, ra, eu estou na argentina e sou padre ,mas so lembro do Eneas, ele sim que era um dos ultimos, duma era de homens diferentes, agora so restou esta pouca coisa, que nao e nem a metade de nada, Lu-Lu, e como a pequena Lulu, do JB, e o Collor, ao menos era intolerante, o Figueiredo era o ultimo dos mohicanos e o Maluff, e moito engraçado, pela sua teimosia em ser o maior dos corrutos, os demais, saiban que quando morran, ninguem os vai lembrar.
Alfredo desde Buenos Aires.
monsalfredo@yahoo.es
Comment by Alfredo Mingola Montreza — December 8, 2007 @ 12:46 am