Já sedento, cansado e todo esfarrapado, o pobre homem, que aqui não terá nome, encontrou o Profeta, este limpo, sadio, com aquela luminosidade clichê da sabedoria que se revela.

- Alto lá, meu caro!
- Putz, ainda bem! Tem água aí?
- Não, tenho sábias palavras sobre o Destino do Universo, e quero partilhar contigo toda a minha sabedoria.
- Legal. É líquido e refrescante, né?
- O que, caro discípulo?
- O Destino do Universo, oras.
- Não, faz-se por forma de palavras.
- Sopa de letrinhas? Tá calor, mas já é algo.
- Não, direi a ti coisas que nunca escutaste, narrarei fatos nunca antes vistos, darei a ti todo o conhecimento de uma vida!
- Nah, nem quero…
- Como?
- Não quero. Pô, tem de decorar, e eu estou numa situação desgraçada. Nem precisa ser muito sábio para perceber.
- Meu filho, da adversidade nasce…
- A água?
- O que?
- Da adversidade nasce a água?
- Não, da adversidade nasce a luz.
- Luz?
- Sim, jovem pupilo.
- Ta de sacanagem, né?
- Por que haveria de estar?
- Porra, puta sol escaldante e você vem me falar de luz? Vai sair mais luz de onde, aqui?

Este texto se encerra pois o autor está no maior bloqueio mental pelo qual já passou qualquer ser humano em toda a história. Blogueiro mental? Bloqueio mental? Hein? Hã?

*baba no teclado*