Na copa, os dois se encontraram às escondidas. Já se conheciam de antes, do tempo do almoxarifado, mas por linhas tortas do destino - e um salário-miséria dele - acharam melhor deixar cada um ir para o seu lado. Como tempos de crise agregam, lá estavam os dois novamente. Ele, chefe de setor. Ela, secretária e esposa do presidente da empresa.
Ela mal acreditava que ele tinha conseguido. Aquele homem de futuro incerto virou um estupendo chefe, um homem enérgico e brando, rigoroso sem ser déspota. Era o grande libertador do setor. Em tempos outros, mais românticos, havia sido o grande libertário de seu coração.
Ele mal acreditava que ela continuava tão linda.
Ali, naquela copa, dividindo um café, eles se reencontraram sem ninguém saber, nem eles mesmos. O marido húngaro era uma ótima pessoa, um patrão tão exemplar quanto era o seu gerente. Ele continuava solteiro, como sempre fora, talvez só esperando por ela.
- Tire outra cópia, Sam…
E assim que o jovem contínuo saiu com o documento, o tão esperado beijo viria. Mas não veio.
- Vá, apenas vá. Pegue logo o fretado. Seja feliz.
- Desculpe, eu…
- Vá, é perigoso aqui.
E ela se foi. Se tivesse ficado, não há a mais remota idéia de como seria. O copeiro, confidente de tudo que aconteceu desde sempre, olhou com o semblante caridoso. Ele retribuiu:
- Esse é o começo de uma grande amizade.
THE END.

Coisa bonita de Deus menino…
Comment by Bruno — March 15, 2007 @ 2:08 pm
Adivinha se eu assisti Casablanca?
Comment by Lívia — March 17, 2007 @ 1:12 pm