O presidente chegou com todo seu staff. Trouxe seguranças, repórteres, a esposa, milhares de toalhas brancas, uma canga para a primeira-dama, um patinho de borracha, repelentes contra mosquitos, moscas tsé-tsé (essas mosquinhas comunistas!), dinossauros e macacos (é sabido, eles andam soltos nas ruas) balde e pás de brinquedo para o lazer na praia, frango, farofa e água.

Mais de mil pessoas estavam envolvidas no aparato da visita. O Serviço Secreto (que de secreto não tem nada: homens de preto com fones de ouvidos e Land Rovers que mais parecem carros abre-alas da Viradouro), batedores para combater os macacos (eles andam soltos!) e soldados kamikazes para entrar na linha de fogo em caso de um ataque das terríveis zarabatanas. Tinha aprendido com portugueses e espanhóis o quão terrível era este aparato bélico em especial, a grande nuke weapon daquele país perdido nos Trópicos.

A comida também era típica. Do Texas. Desde que o Arby’s fechou, nenhum americano metido à John Wayne arrisca comer por estas bandas. Aquele sanduichão de rosbife com molho barbecue e tudo o mais, não existe no país. Tem feijoada, mas como pos isso, um presidente comendo da culinária de escravos?

E daí que Buenos Aires vai parar? O Brasil é uma nação amiga, tem até for all no Largo da Batata, mas que se dane Buenos Aires! Não é mesmo, Liza Minelli?

E aqueles aborígenes protestando nas ruas? Fora isso, fora aquilo! Fora my ass, pô. Todo lugar que o presidente vai é assim mesmo. É preciso zelar pela vida do comandante-em-chefe, assegurar que nenhum louco com um tacape na mão ataque o presidente daquele país tão evoluído. É como uma santidade vindo nos visitar. Saudemos, chegou o Deus do Vulcão! Bóra sacrificar algumas virgens! Difícil vai ser achar, mas bóra sacrificar!

E lá está o presidente, tomando todos os cuidados. Pena que o idiota tropeçou em um dos seus cães, e acabou perfurando o pulmão com a faca do jantar americano (Dona Bárbara sempre avisou, "não corre com uma faca na mão, meu filho!"). Pelo menos não teremos problemas diplomáticos. A faca era americana.

Post Scirptum importante: é só eu, ou você também imagina que antes do Barbudo trocar uma idéia com o Cabeçudo, vai rolar aquele samba do Zeca Baleiro na parada? Aquele lá, lembra, só que com alguma alterações e comentários de Casagrande e Falcão:

Venha provar meu brunch
saiba que eu tenho approach
na visita do Bush
eu ando de ferryboat

eu tenho savoir-faire
meu temperamento é light
minha casa é hi-tec (pois é!)
toda hora rola um insight (hahahahahahahahaha!)
já fui fã do jethro tull
hoje me amarro no Slash
minha vida agora é cool (e a nossa também ¬¬)
meu passado é que foi trash (o passado ou o presente?)

Venha provar meu brunch
saiba que eu tenho approach
na visita do Bush
eu ando de ferryboat

fica ligada no link (http://oimperador.blogsome.com)
que eu vou confessar my love
depois do décimo drink (só dez?)
só um bom e velho engov (Fraco!)
eu tirei o meu green card
e fui pra Miami Beach (junto com o Collor?)
posso não ser pop star (mas se acha, não?)
mas já sou um noveau riche (Romaneè Conti na veia!)

Venha provar meu brunch
saiba que eu tenho approach
na visita do Bush
eu ando de ferryboat

eu tenho sex-appeal (Dona Marisa que o diga)
saca só meu background
veloz como Damon Hill (barbeiro)
tenaz como Fittipaldi (barbeiro e mala)
nao dispenso um happy end (nem eu!)
quero jogar no dream team (com o Delfim?)
de dia um macho man (ui!)
e de noite um drag queen (ui! ui! ui!)

Venha provar meu brunch
saiba que eu tenho approach
na visita do Bush
eu ando de ferryboat