Passando Parati, mais trinta quilômetros, surge a placa informando que você está próximo de Tarituba, um local esquecido pelos cigarros de menta, mas lembrado pelo fermento biólógico Fleischman e por quase toda a sorte de animais do mundo.

Tarituba é famosa por ser o berço da segunda versão da novela Mulheres de Areia, aquela com a música do Pepeu que tinha um lance de "sexy Iemanjá" e tal. Os dados foram fornecidos pela namorada, quase uma das fundadoras do local. Andando pelas ruas da cidade (duas, que podem ser consideradas uma, se levarmos em conta o formato em L), você passa pela casa da Raquel (que era a má no folhetim) e Rutinha (por sua vez, a boazinha da história) e, um pouco mais a frente, encontra Tonho da Lua em pessoa, sem os chifres do Marcos Frota. Como a vida não imita a arte e vide verso, Tarituba não lembra uma praia daquelas do Ceará, cheias de dunas que nos remetem à músicas da Elba, mas sim uma praia de paulistas: um pouco de sujeira, uma farofa cá outra acolá e lodo no fundo, segundo relatos de quem não tem amor à vida.

E eu não consegui avançar além disso. O texto está aqui há dois dias e não anda. Houve a greve dos pasteleiros de camarão na cidade, provocando uma revolta sem fim na casa paulistana/carioca/mineira de Tarituba. Houve uma ida ao mar, bem longe, só por causa da dona da pensão. Houve a construção de um castelo, que ruiu por ser obra de paulistas. Talvez sejam coisas inenarráveis, talvez seja incompetência minha. Certo é que não há como contar tudo sem ser injusto. Nunca havia pensado em deixar a selva de pedra e viver de caça, pesca, troca de espelhos com a civilização e noites mimimimimi te amo. Pois naqueles cinco dias eu trocaria fácil, mas tinha de ser com ela. E com pastel de camarão, porque ninguém é de ferro.

* O original é "Entre Caraguá e Ubatuba. A infâmia é minha mesmo.