Quando a sexta cerveja chegou, já tinha a companhia de uma caipirinha, duas doses de uísque e uma dose de uma legítima cachaça mineira.
- Chefe! Chefe! Traz mais uma aqui!
E lá vinha a sétima, enquanto o nada era contemplado e sobre nada se pensava. Eis que, súbito, bateu-lhe a mirabolante idéia.
- Sabe meu caro, eu me casaria com você!
O pobre Raimundo, no terceiro turno como garçom, três bares em três dias, não agüentava mais ouvir o número três. Mas a idéia de um dois, um casal, também não lhe agradava.
- Hahahahahahaha, eu não sei se seria uma boa idéia. Meu pai, lá no Norte, ia arrancar o bucho de nós dois.
- Não rapá, tô falando sério. Tu me traz cerveja sem que eu tenha de pedir. Conversa comigo e entende o que eu falo, mesmo quando eu estou para lá de Pirituba. Se eu chamo Jesus de Genésio, você não corrige, e ainda por cima não critica a zaga do Timão mesmo quando o Marquinhos tá lá. Rapaz, você é a esposa perfeita!
- Pera lá, cabra safado, esposa um cacete! Além do que, eu não sou chegado nesses negócios de veadagem não!
- Mas quem falou em veadagem rapá!?
- Ué, esse lance de mulher. Tá louco que eu vou dormir contigo de noite.
- E quem te disse que casado dorme junto?
- Mas mesmo assim, esse negócio de mulher é estranho…
- Você quer o quê? Você me serve, limpa minha camisa quando eu vomito no banheiro do bar, comenta comigo como foi o dia aqui. Rapá, tu é melhor que muita esposa aí, tá sabendo!
Raimundo desistiu. Horas depois, boteco quase a fechar, Raimundo decide encarar o destino e ir até a mesa do "maridão". Os outros garçons, para pregar uma troça no coitado, resolveram não atender o homem. O bar só fecharia por obra e graça de Raimundo. Mesmo que isso lhe custasse a macheza do sertão.
- Chefia! Chefia! Fecha a minha!
- Tá aqui doutor!
- Porra? Trezentos e quarenta paus!
- Ué, você não começou com esse negócio de esposa? Pois então, 50 % é de gorjeta. E domingo mamãe vai almoçar lá em casa.
- 50% de gorjeta? Porra!
- Ah, alguém tem que arrumar o microondas, a geladeira e comprar o material escolar das crianças.
- Quer saber, chefia, eu quero o divórcio!
- Tem outro vagabundo na jogada né, cabra safado!?
- Tem nada. O problema sou eu.
E cambaleando, subiu mais umas duas ruas até outro bar. Sentou na cadeira mais próxima e, contemplando o nada, chamou o garçom:
- Chefe! Chefe! Uma Serramalte! Eu ando tão solitário desde que o outro garçom me deixou…

Raimundo é foda mesmo!!! =)
Comment by zander catta preta — February 16, 2007 @ 5:44 pm
Hahahahahahahahaha!!!! Muito boa!!!!
Comment by Sol — February 16, 2007 @ 6:47 pm
Bêbado!
Comment by Anderson Kaiser — February 18, 2007 @ 2:46 pm
Ou seja: Não deixe o seu garçom saber que é sua esposa.
Comment by Bruno — February 22, 2007 @ 12:38 pm