- É o fim, meus filhos! É o fim!

Enquanto o Profeta falava, todos prestavam muita atenção, o que era incomum para a época. Profetas eram figuras mortas há cerca de dois séculos.

- Mas por que o fim, ó grande mestre?
- Ô bicho burro da porra, já falei durante dois dias! Pragas, alianças do PMDB com o PT, o efeito-estufa! Ééééééé ooooo fiiiiiiiiiiiiiiiim!

Com um cajado na mão, barba desgrenhada e a cara do Sivuca, o Profeta foi atingido por uma lufada de vento que assustou aos espectadores. Sua veste, uma simples túnica que cobria todo o mirrado corpo, voava, pintando uma imagem, vejam só, profética da coisa.

- Depois disso, virão as pragas. Chuva de cds do Calipso, uma manada de trios elétricos, livros do Paulo Coelho. Toda a sorte de Inferno! Chagaaaaaaaaaaaaaaaaaas!
- Sim, meu Profeta!
- Sim o quê, retardado?
- O Senhor me chamou, Profeta!
- Chamei porra nenhuma, nem te conheço, pazzo!
- Eu sou o Chagas
- E o problema é teu, morre!

Assim o pobre Chagas caiu duro, naquele instante. Todos correram a beijar o pé do Profeta. Do fundo da platéia, alguém perguntou:

- Mestre! Mestre! É verdade que o Júlio está namorando?

Visivelmente cansado, o Profeta apoiou-se em seu cajado e foi ao chão. Todos os seguidores fizeram o mesmo, em solidariedade ao sábio homem.

- É sim, meu filho. É o início do fim, a primeira das grandes pragas do Apocalipse, que abaterá cada infiiiiiiiiiiiiiieeeeeeeeeeeel!
- Eu, Mestre!
- Você o quê, cazzo?
- Você me chamou, eu sou Fidel.
- Chamei porra nenhuma, seu surdo!

É um evento que não acontece há séculos. Não o fim do mundo, pô, o fato de eu ter namorada. E a culpa não é só dela, não. É nossa.