Desaparecido desde a última sexta, Júlio pode ser a única vítima de desmoronamento de trabalho em São Paulo.

Da redação em Reykjavik

Da última vez que foi visto até hoje, dois dias depois, há apenas um depoimento sobre Júlio César, possível vítima do soterramento de trabalho que ocorreu na última sexta-feira em São Paulo.

"Estava ali ó, caído na sarjeta. Aliás, minha sarjeta", diz José Torres da Costa e Silva, que se auto-intitula irmão do ex-presidente da República e é um famoso indigente da Avenida Paulista. "Ele saiu do bar sei lá que horas, mais torto do que eu quando estou realmente bêbado", completa Costa e Silva.

As autoridades continuam as buscas pelo corpo. O Governador do Estado, José Serrote, afirma que não perdeu as esperanças de encontrar Júlio vivo. "Esperamos que a sociedade paulistana não tenha perdido um cidadão tão importante para o Estado", disse. O chefe do Corpo de Bombeiros também lamenta o desaparecimento de Júlio. "Precisamos achá-lo com vida. Ele já incendiou uma casa quando criança e não pode ficar impune!", bravejou o comandante.

A equipe de busca no local usam de Serramalte para encontrar o desaparecido. Segundo os técnicos do Valladares, se Júlio estiver vivo, chegará a tona ainda esta noite. "Um pouco bêbado, é verdade, mas esperamos que ele ao menos pague a conta", diz o garçom Buné, chefe da equipe.

A família e os amigos de Júlio acampam no local. Segundo um dos amigos, que não quis se identificar, trata-se apenas por conta da boca-livre. "O Júlio nunca faria isso se fosse vivo. Que sua alma descanse em paz", lamenta o entrevistado, dando em seguida um gole na cachaça Espírito de Minas servida pelo governo aos parentes e amigos do soterrado.