- Pois é, a cortina tá fechando.
- Mas o espetáculo foi legal. Teve coisas novas, teve coisas antigas reforçadas, teve o último ato do fígado.
- Cara, o último ato do fígado. Que cena dramática!
- Pois é. O Samuel Beckett teria um treco.
- Eu nunca li.
- Nem eu, tô fazendo charme.
- Ah tá.
- Mas o William morreria por uma cena daquelas.
- Ele morreu por uma cena dessas, rapá.
- E o protagonista só falou merda no espetáculo todo, né?
- Falou e escreveu, durante toda a exibição.
- Cara, mas ele tem uns insights legais, de vez em nunca.
- Tem nada, tudo que ele produz é lixo, lixo, lixo!
- Pára, você está parecendo aqueles críticos francesinhos da Cahiers du Cinema. Manja, estilo, não é Goddard, não é bom. Ainda copiam slogan da Bayer, os plagiers.
- "Plagiers"?
- Plagiadores, no meu francês…
- Seu francês?
- Ah, longa história. Mas enfim, no final, um baita espetáculo. Os atores coadjuvantes estavam ótimos, como sempre.
- Não, eles são os principais. E o principal é coadjuvante.
- Pô, eu não notei.
- Eu percebi, ninguém entende direito o que eu produzo.
- Vai ver porque é tudo uma merda.
- É, mas os principais são bons, vai. E semana que vem tem premíere do meu novo espetáculo, o 2007.
- Seqüência do 2006?
- Mais ou menos. É provável que tenha coisas novas.
- Mas o principal continua?
- Cada vez mais dizendo e escrevendo merda…

Ano que vem tem mais, meus caros. Eu aqui, no meu velho e querido blog. Vocês em todo o Brasil, porque…

Chega, isso é muito infame até para mim. Feliz 2007 para todos. Obrigado.