Se não me falha a memória, o que é quase impossível, era a bruxa quem avisava:

- Cuidado, César, com os idos de março.

Bom, março era para o homônimo menos famoso, aquele Júlio lá do Rubicão. No meu caso, o Blogger deve ter avisado:

- Cuidado, César, com os idos de dezembro.

E vocês sabem que o Cesinha não deu lá muita atenção para a bruxa e continuou no seu estilo George Bush wannabe, declarando-se dono até de arbusto. Então Brutus, moço volúvel, volátil, viado da porra, foi e deu umas facadas no Cesinha, nas escadas do Senado (idéias para protestar contra o aumento de 91%, ligue para mim). Marcão estava no meio do imbróglio, reza a lenda, junto com mais uma porrada de gente. O cara era o mais mal amado de todos os tempos, disse o Figueiredo. O Figueiredo, meu povo!

No meu caso, não teve escada do Senado, não teve Brutus. Mas a traição tá ali ó, emparelhada. A porra do Blogger, em um momento de vendetta que faria Don Corleone chama-lo de Don, resolveu dar cabo do antigo Imperador, aquele que tinha o layout foda de lindo feito pela Camila e onde se era proibido falar o nome do Zé Dirceu em vão. Governista de merda, deveria ser renancalheiros.com.

Eis que os textos que lá estavam não foram salvos por esta anta que os digita. Não que tivesse muito a ser salvo. Para dar proporções, porque eu adoro essa desgraça de proporções, era como afundar um navio onde 98% do carregamento era composto de água de coco - sujeira que as pessoas bebem na praia e acham ótima -, e 2% de Serra Malte gelada sexta-feira, oito da noite, 42 graus em Sampa. Assim sendo, perdi uma porrada de coisa. Uns mimimimimimis com algumas mulheres, alguns textos fodas de conversas com outros blogueiros, a grande viagem do "Em Roma, como os romanos", que narrava a história do rap desde caralhadas ancestrais. Também perdi uns textos sobre política, graças a Marx. É, estou no estilão Fernando Henrique, esqueçam o que eu escrevi, e daí?

É pena porque me era crítico, aquele blog. Eu via ali erros que não deveriam mais ser cometidos, acertos que deveriam ser copiados à exaustão, histórias que me lembravam pessoas, lugares e momentos ótimos. Era como se eu estivesse vestido de Armani. A etiqueta (layout), era linda. O conteúdo (Júlio), era uma droga. O Imperador se foi. Vida longa ao Imperador.