Contos de Natal do Imperador.

Personagens:
Júlio César é o Café.
Consciência de Júlio é a pseudo-consciência de Café
Banco da quadra é o lugar onde Café dormiu.
Rafa é o Poeta.
Rafael é o Tropeço
Gordão é o Gordão.

Noite de Natal, duas da manhã, banco da quadra:

Café:
Misericordiosa seja,
dentre todas as forças da natureza,
aquela que agora me inebria,
escondida em uma garrafa de cerveja.

Pseudo-consciência:
Não tema, grande cabeça,
a manhã a dor será pior,
da próxima vez te lembre,
dos goles, sempre o menor!

Café:
Torpe e vil consciência,
que agora fala por mim,
permita que a loira não lembre,
que coisas expeli até o fim!

Banco da quadra:
Não mais me amolem com este assunto,
apenas deite e durma,
pare de conversar consigo,
e deixe envolver-se pela bruma.

Café:
Maldito és tu, banco da quadra,
que a cada hora que passa,
faz-me doer as costas, a arder em brasa.

Chegam Poeta, Tropeço e Gordão.

Poeta:
Não mais tremei de frio, nobre amigo,
trouxe tua túnica e ainda lenha,
e desta faremos fogueira,
com o ar que bafejas.

Tropeço:
Vejam, meus caros,
a decadência do homem,
até há pouco era apenas infame,
agora jaz como inhame.

Gordão:
Devemos medir as palavras,
para que não fiquemos desprevenidos,
antes Café aqui neste banco,
do que coado em algum jazigo.

Café:
Nobres amigos, que muito alegro-me em ver,
dêem-me este elixir para o mal que me aflige,
façam cessar o rodopiar das estrelas,
façam com que deste banco não me atire.

Pseudo-consciência:
Parem com as rimas bestas! Alguém trouxe Engov e Eparema?

Poeta, Tropeço e Gordão, em coro:
Nobre consciência amiga,
não mais deves te preocupar,
trouxemos bálsamo, ouro e mirra,
para que sua estrela volte a brilhar.

Pseudo-consciência (já para lá de Marrakesh):
Que porra, vocês são os Três Reis Magos?
preciso logo parar de beber,
ou, pelos romanos, serei caçado!

E no outro dia acordou rimando. Nunca mais, ele disse, nunca mais, meu irmão. Nunca mais, repetiu, nunca mais, pinga com limão.