Dentro da floresta - David RemnickDecember 29, 2006 2:18 pm

- Pois é, a cortina tá fechando.
- Mas o espetáculo foi legal. Teve coisas novas, teve coisas antigas reforçadas, teve o último ato do fígado.
- Cara, o último ato do fígado. Que cena dramática!
- Pois é. O Samuel Beckett teria um treco.
- Eu nunca li.
- Nem eu, tô fazendo charme.
- Ah tá.
- Mas o William morreria por uma cena daquelas.
- Ele morreu por uma cena dessas, rapá.
- E o protagonista só falou merda no espetáculo todo, né?
- Falou e escreveu, durante toda a exibição.
- Cara, mas ele tem uns insights legais, de vez em nunca.
- Tem nada, tudo que ele produz é lixo, lixo, lixo!
- Pára, você está parecendo aqueles críticos francesinhos da Cahiers du Cinema. Manja, estilo, não é Goddard, não é bom. Ainda copiam slogan da Bayer, os plagiers.
- "Plagiers"?
- Plagiadores, no meu francês…
- Seu francês?
- Ah, longa história. Mas enfim, no final, um baita espetáculo. Os atores coadjuvantes estavam ótimos, como sempre.
- Não, eles são os principais. E o principal é coadjuvante.
- Pô, eu não notei.
- Eu percebi, ninguém entende direito o que eu produzo.
- Vai ver porque é tudo uma merda.
- É, mas os principais são bons, vai. E semana que vem tem premíere do meu novo espetáculo, o 2007.
- Seqüência do 2006?
- Mais ou menos. É provável que tenha coisas novas.
- Mas o principal continua?
- Cada vez mais dizendo e escrevendo merda…

Ano que vem tem mais, meus caros. Eu aqui, no meu velho e querido blog. Vocês em todo o Brasil, porque…

Chega, isso é muito infame até para mim. Feliz 2007 para todos. Obrigado.

Dentro da floresta - David RemnickDecember 28, 2006 7:09 pm

Dizem que a primeira vez a gente nunca esquece. Acho que até pára-choque de caminhão a frase virou. E o João não esquecia a dele por nada nesse mundo.

Lembra muito bem que suava, enquanto virava de cá, virava de lá. Tentava por cima, por baixo, pelos lados. Ia por tudo quanto é canto, meio, via. E o pior é que todo mundo observava, para desespero do iniciante. Os gemidos de dor, o prazer por conseguir peripécias antes impensáveis. Ou melhor, algumas já habitavam sua mente há tempos, mas isso é outra história.

E lá estava João, torcendo, se retorcendo, elevando força e jeito à enésima potência. E todo mundo olhando, alguns até querendo esboçar um "vai João", mas não podiam, para não atrapalhar o ato. O nervosismo, comum aos iniciantes, se abatia sobre o jovem, que não sabia se ria, se chorava, naquela gama de prazeres que só a primeira vez nos traz. Sentia todas as coisas do mundo naquele momento e era como se o mundo, ao mesmo tempo, não existisse além daquele cômodo, daquela cadeira. Sim, cadeira.

Depois de duas horas de gemidos e alívios, João finalmente conseguiu. Era admitido como office-boy do escritório Cunha, Almeida, Saraiva, Peixoto e Irmãos Galvão após, finalmente, desentortar três clipes. Sem tirar.

Dentro da floresta - David RemnickDecember 27, 2006 2:16 pm

Relendo os arquivos do Subversiva, coisa que faço pelo menos quatro vezes por ano, achei um post interativo da Lelê sobre os dez melhores livros que ela já tinha lido, bem como a minha resposta para tal enquete. Isso foi no final de 2003, segundo ano de faculdade, se a memória não morreu, e a minha lista era essa:

1 - A revolução dos bichos - George Orwell
2 - Senhor dos Anéis (Trilogia) - JRR Tolkien
3 - A ditadura envergonhada/escancarada - Elio Gaspari
4 - Fausto - J. Wolfgang Goethe
5 - Jornalismo canalha - José Arbex
6 - Chatô - Fernando Morais
7 - Memórias Póstuma de Brás Cubas - Machado de Assis
8 - O Cortiço - Aluisio Azevedo
9 - Os 10 dias que abalaram o mundo - John Reed
10 - Otelo - William Shakespeare

Estranho como, com o passar dos anos, a lista de livros muda da água para o vinho. Não que eu considere a lista antiga ruim, muito pelo contrário. São livros que deram norte para o que eu escrevo hoje, bem como a nova lista, que viraram a mesa do que se lê neste espaço. O tom da primeira lista não nega que eu tinha uma influência clássica e, para a grande maioria, enfadonha. Em uma lista atual, o ritmo do texto, dadas as influências, salta alguns séculos no DeLorean literário. Dali, por exemplo, eu tiraria O Cortiço, mesmo considerando-o o mais próximo daquela perfeição que as obras de Machado de Assis alcançaram na literatura nacional. Chatô, por exemplo, seria substituido na lista dos livros jornalísticos pelo recém-lido O Segredo de Joe Gould, de Joseph Mitchel. Não que a narrativa de Fernando Morais seja ruim, pelo contrário. É que o livro de Mitchel é uma ode aos personagens cotidianos. Sabe, o cobrador de ônibus que você dá bom dia mas não sabe que ele, por exemplo, já chegou a lutar boxe com o Eder Jofre? Pois então, isso é Joe Gould. E seu segredo é uma das melhores histórias contadas no jornalismo mundial.

Não, pensando bem, não tiraria nada. Me aperta o coração excluir qualquer uma das obras citadas. Elas foram meu começo e, de cada uma, tenho uma lembrança marcante. O tapa na cara que é o livro de George Orwell (na minha opinião, mais esclarecedor que o 1984), a meticulosa descrição tolkeniana, que aguça o campo visual do leitor a ponto de conseguirmos ver o filme antes de Peter Jackson dar vida à obra, a acidez de Gaspari e sua doce ironia sobre a esquerda e a direita tupiniquim nos anos de ditadura, ou Fausto, uma história de amor com um pitaco de tragédia e uma veia cômica maravilhosa. Memórias Póstumas não pode faltar, foi meu primeiro livro, aos 18 anos. O ponto de partida, aquele que me fez olhar no espelho e perguntar por que eu fui tão idiota de demorei tanto para ler. Otelo, com o personagem Iago, o homem que me dava raiva pela admiração que causava, mesmo sendo um monstro. Arbex abrindo as portas do mundo, Venezuela em especial, indo na contramão da Rede Globo e do Estadão e John Reed mostrando a reportagem mais minuciosa de front que eu já li, uma vez que ele tinha entrada franca no Partidão durante a Revolução Russa.

Hoje eu posso fazer um top 20, ou até trinta. Seria mais ou menos assim:

11 - O segredo de Joe Gould - Joseph Mitchell
12 - Los Angeles, Cidade Proibida - James Ellroy
13 - As Intermitências da Morte - José Saramago
14 - O Leopardo - Lampeduza
15 - A Fogueira das Vaidades - Tom Wolfe
16 - Crime e Castigo - Dostoiévski
17 - Paciente 67 - Dennis Lehane
18 - Hiroshima - John Hershey
19 - Obrigado por fumar - Christopher Buckley
20 - Ensaio sobre a cegueira - José Saramago
21 - McBeth - William Shakespeare
22 - A milésima segunda noite na Avenida Paulista - Joel Silveira
23 - A queda - Albert Camus
24 - Filme - Lillian Ross
25 - Fama e anonimato - Gay Talese
26 - Incidente em Antares - Érico Verissímo
27 - O Analista de Bagé - Luis Fernando Verissímo
28 - Ninguém escreve ao Coronel - Gabriel Garcia Marquez
29 - Dália Negra - James Ellroy
30 - Uma longa fila de homens mortos - Lawrence Block

Me fez pensar na lista daqui a quatro anos. Esses trinta, não saem. Dentro da Floresta, do David Remnick, será o trigésimo primeiro, é quase certo. E, quem sabe um dia, eu vou ter capacidade suficiente para colocar Assim falou Zaratrusta, do Niestzche, no bolo. Eu deveria era ter nascido melhor leitor, isso sim.

O Segredo de Joe Gould - J. MitchellDecember 26, 2006 1:36 pm

Papai Noel existe e mora no Brasil. E neste ano, foi generoso bagaraleo.

Lelezoca, sempre dona do título de melhores presentes ever, meu deu o maravilhoso Assassinos por Natureza, dirigido por Oliver Stone, com Woody Harelson e Juliete Lewis, entre outros. Como se não bastasse, é o segundo roteiro de Quentin Tarantino que foi parar em Hollywood, na época em que ele angariava fundos para fazer uma de suas obras-primas, Pulp Fiction. Rodrigão, irmão da Lelê, não ficou atrás, presenteando este com o filme A Vila, um dos melhores suspenses da sétima arte e a melhor obra de M. Night Shyamalan, aquele que não sabe se é Spielberg ou Hitchcock e, enquanto descobre, trafega pelos dois sem cerimônia. Gabi me deu dois presentes, a veadinha, O inverno da nossa desesperança, de John Steinbeck, e Lua na sarjeta, do David Goodis, este último para suprir um vício que ela me apresentou: os livros policiais.

Lilhoca, conhecedora-mor dos hábitos deste que vos escreve, deu uma garrafa de vinho. Mais apropriado, impossível. Carolzinha deu-me uma super lanterna para leitura. Nem a Polishop seria capaz de inventar algo tão maravilhoso e engenhoso. Deve ser coisa da civilização maia, sempre a frente do mundo. Mônica me deu uma camisa do Madruga, tamanho P, no afã de que eu fosse um pouquinho mais magro, e acabei trocando essa por uma dos Simpsons encenando a capa do Abbey Road, dos Beatles que, conforme ela disse, foi sua primeira opção. Bom gosto, sem dúvida, ela tem… hehehehehehehehe.

Mamãe e irmão/cunhada/duas sobrinhas me deram camisas. Ericão acertou em cheio no presente, mas só perdeu o timing: Cassino Royale, citado posts atrás, aquele com direção do John Huston. Será trocado por Mar Adentro, com o Javier Bardem, história do poeta Ramón Sanpedro que lutou pela eutanásia após ficar tetraplégico. Se eu der sorte, ele também dá uma caixa de lenços, de tão foda que o filme é. Alê me deu um exemplar do Balde de Gelo, obra de Marco Aurélio e Daniela Macedo, e assim eu só preciso barganhar uma edição dos Malvados.

E o Junior, na zoada grandona do ano, me deu Cartas a um jovem político, do Fernando Henrique Safado Cardoso. Como o mesmo autorizou a troca, eu prefiro crer que ele deu o livro Dentro da Floresta, do David Remnick, obra citada alguns textos atrás e que reúne perfis de Vladimir Putin, Mohhamad Ali e Al Gore, escritas pelo autor quando à frente da chefia da revista New Yorker. A Coleção jornalismo literário vai se fechando.

A todos o meu muito obrigado e os votos de um Natal do caraleo (que já foi, por sinal) e de um 2007 cheio de coisas maravilhosas e realizações mil. Não posso esquecer também de agradecer e desejar o melhor de tudo para Fê, Lívia (a chefa mais legal do mundo), Dona Rose, Seu Fausto, Luquinhas, Marys, Bia, Sol, Vanessa, Desconjumina, Zé Buerão, Brunão, Tiagão (dá-lhe Colorado!), Dionea, Zander, Santini, Silvério (o Papai Noel), Théo, Daygo, David, Denis, Derick, Vitória, Luisa, Marcão, Juninho sobrinho, Neide, Zuleide, o pessoal aqui do trabalho, Monica Belucci, Madona, Martin Campbel pelo novo Cassino Royale, Helozita Caprioli, Rosana (e os descontos na Cia das Letras…hehehehehehe), Claudinha (que agora é Doutora Titia), o pessoal do Portal dos Bandeirantes e mais um montão de gente que a minha memória de Dotty, do Procurando Nemo, não me permite lembrar agora. Todos são presentes de Natal, o ano todo, e sou mais do que grato pela participação de vocês na história deste que escreve.

Agora, bóra todo mundo tomar champagne (champanhe? Sei lá, dá cerveja). Saúde!

Gone, baby, gone - Dennis LehaneDecember 22, 2006 1:55 pm

Graças a brilhante idéia da Lilhoca, temos aqui o post secreto, onde escrevemos qualquer coisa sobre a pesoa que tiramos após sorteio. Eu sei, não tem aquela sapecagem dos amigos secretos da firma, onde você reza para a secretária gostosuda beber muito mais do que pode e, assim, esquecer que você é o cara que tira xerox. Mas eu garanto que os textos do pessoal da Blogagi farão justiça aos escritores que o blog possui. Esse aqui, já de cara, mostra que não faz jus ao quão gente fina é meu amigo secreto deste ano.

Questão de Bat-ordem, senhor bat-juiz!

O advogado chegou em cima da hora. Ainda tinha, preso à mão, o controle do Wii. Reza a lenda que Scheila Carvalho o queria. Mas ele queria o Wii e ponto. O terno preto com riscas brancas contrastava com o roxo do paletó de seu cliente. E ele não entendia o porquê daquela flor tão bizarra na lapela.

A experiência advertia que ele não deveria cumprimentar seu cliente, em hipótese alguma. Acenou com a cabeça e estranhou o novo corte de cabelo, o verde desgrenhado dando lugar a uma careca branca que chegava a brilhar. A voz do juiz retumbou:

- Eu sou o Juiz Dredd. Eu sou a lei. Advogados, venham à tribuna, por favor.

Matt Murdock, o advogado de acusação, tropeçou no primeiro degrau que dava acesso à tribuna do juiz. Coringa, o acusado, quase morreu de rir. Batman cerrou os dentes.

- Senhor advogado de defesa, seu cliente se considera culpado ou inocente?
- Inocente, Juiz Dredd!

Outro ataque de riso do Coringa. Pingüim, sentado na cadeira de trás, colocou a pata em seu ombro. Duas Caras não sabia se ria ou se fazia careta.

- Que entre a primeira testemunha! – disse o juiz.

Instantes depois, o advogado de defesa fazia sua primeira pergunta.

- Onde você estava no dia 22 de janeiro deste ano?
- Miau, miau, miau!

Batman fez um bat-sinal ao advogado de acusação, que não viu nada. Murdock, vulgo Demolidor, acabou protestando, dizendo que a Mulher-Gato, foragida da lei, não poderia depor naquele tribunal. Audição ele ainda tinha.

- Senhor Juiz Dredd, pode notar que não se trata da Mulher-Gato, e sim de Arlequina, conhecida do injustamente acusado Coringa, o Joker, o Palhaço.

Um burburinho seguiu logo depois do nome da cúmplice de Coringa, o Joker, o Palhaço, ter sido citado. Apesar disso, Arlequina lambia tranqüilamente as patas, como se nada estivesse acontecendo. Queria apenas um bom pedaço de atum. Ou de picanha.

- É algum tipo de brincadeira, advogado?
- Que brincadeira, Meretíssimo Juiz Dredd?
- Tomar depoimento de uma gata?
- Senhor Juiz Dredd, Selina Kyle pode nos auxiliar como escrivã, não pode?

A roupa de couro da Mulher-Gato parou o tribunal, aguçando libido e superpoderes dos presentes. Menos, é claro, de Robin. Ele era o mais bat-indignado, pois o Homem Morcego a secava sem misericórdia.

A imprensa compareceu em peso para a cobertura do evento. Superman voou do Planeta Diário para Gotham. Homem-Aranha fazia tomadas únicas do teto do tribunal, apesar das investidas de Venom pela melhor foto do “julgamento do século”, conforme o Homem de Aço escrevera dias antes.

Tomado o depoimento de Arlequina, foi vez do Demolidor chamar sua testemunha. A porta do tribunal, de repente, virou farelo, os tocos voando em cima da platéia. Um homem, que mais parecia com uma montanha, atravessou correndo o tribunal e só parou na frente do Juiz Dredd.

- É o julgamento de Charles? Cheguei na hora certa?
- Eu sou a Lei! E você, quem é?
- Juggernaut. Quem é o réu aqui?
- Coringa, o Joker, o Palhaço.
- Bah, DC fede!

E tão rápido e avassalador quanto veio, ele saiu, levando um pedaço imenso da parede do tribunal.

- Droga, Bola de Pêlos, porque ele não entra como uma pessoa normal? – indagou Wolverine ao Doutor Hank.
- E eu lá sei? Ele é um mala, rapá… – respondeu o Fera, pendurado de cabeça para baixo no teto do tribunal.

O julgamento se arrastou por horas, enquanto o júri analisava meticulosamente o caso de Coringa, o Joker, o Palhaço, entre um cochilo e outro. Poucas 36 horas depois, Juiz Dredd deu o veredicto final, embasado na escolha do júri:

- O acusado Coringa, o Joker, o Palhaço, é inocente, segundo o júri. Declaro essa seção encerrada. Senhor Coringa, pode comparecer ao Asilo Arkham para retirar seus pertences. Eu sou a Lei!

Batman tentou fazer Justiça com as próprias mãos, mas Robin as segurava com força. Fez um bat-sinal para o Demolidor, que mais uma vez nada viu. Coringa, o Joker, o Palhaço, sorria para seu advogado e estendeu a mão, em reconhecimento a vitória.

- Obrigado, meu caro!

E o advogado o cumprimentou, recebendo uma descarga descomunal de volts.

- Filho da puta! Enfia essa mão no cu, véi! No cu!

Gone, baby, gone - Dennis LehaneDecember 21, 2006 8:29 pm

Se não me falha a memória, o que é quase impossível, era a bruxa quem avisava:

- Cuidado, César, com os idos de março.

Bom, março era para o homônimo menos famoso, aquele Júlio lá do Rubicão. No meu caso, o Blogger deve ter avisado:

- Cuidado, César, com os idos de dezembro.

E vocês sabem que o Cesinha não deu lá muita atenção para a bruxa e continuou no seu estilo George Bush wannabe, declarando-se dono até de arbusto. Então Brutus, moço volúvel, volátil, viado da porra, foi e deu umas facadas no Cesinha, nas escadas do Senado (idéias para protestar contra o aumento de 91%, ligue para mim). Marcão estava no meio do imbróglio, reza a lenda, junto com mais uma porrada de gente. O cara era o mais mal amado de todos os tempos, disse o Figueiredo. O Figueiredo, meu povo!

No meu caso, não teve escada do Senado, não teve Brutus. Mas a traição tá ali ó, emparelhada. A porra do Blogger, em um momento de vendetta que faria Don Corleone chama-lo de Don, resolveu dar cabo do antigo Imperador, aquele que tinha o layout foda de lindo feito pela Camila e onde se era proibido falar o nome do Zé Dirceu em vão. Governista de merda, deveria ser renancalheiros.com.

Eis que os textos que lá estavam não foram salvos por esta anta que os digita. Não que tivesse muito a ser salvo. Para dar proporções, porque eu adoro essa desgraça de proporções, era como afundar um navio onde 98% do carregamento era composto de água de coco - sujeira que as pessoas bebem na praia e acham ótima -, e 2% de Serra Malte gelada sexta-feira, oito da noite, 42 graus em Sampa. Assim sendo, perdi uma porrada de coisa. Uns mimimimimimis com algumas mulheres, alguns textos fodas de conversas com outros blogueiros, a grande viagem do "Em Roma, como os romanos", que narrava a história do rap desde caralhadas ancestrais. Também perdi uns textos sobre política, graças a Marx. É, estou no estilão Fernando Henrique, esqueçam o que eu escrevi, e daí?

É pena porque me era crítico, aquele blog. Eu via ali erros que não deveriam mais ser cometidos, acertos que deveriam ser copiados à exaustão, histórias que me lembravam pessoas, lugares e momentos ótimos. Era como se eu estivesse vestido de Armani. A etiqueta (layout), era linda. O conteúdo (Júlio), era uma droga. O Imperador se foi. Vida longa ao Imperador.

Gone, baby, gone - Dennis Lehane 4:47 pm

Tá, eu já vi isso cinco vezes só hoje. Ok, eu me caguei de tanto rir às cinco vezes. Sim, o que você tem com isso, não é mesmo? É claro, nesse exato momento estou vendo de novo.

"Jebediah feeds the chickens and Jacob plows… fool"

É poesia, cambada!

Update: Julio Cesar Cu, o mexicano cata bosta.
Update 2: vá ao Youtube e digite Chad Vader. Assista tudo e mais um pouco.

Gone, baby, gone - Dennis LehaneDecember 20, 2006 7:15 pm

Eu estou sem texto. É sério, vocês podem perceber pelas últimas produções desta joça. Quando eu volto a encarnar o Júlio chato dos blogs de antanho, é porque eu estou pensando merda. Ou melhor, penso merda nenhuma. Hoje mesmo estava aqui, olhando para o monitor, pensando em fazer um top five das cinco mulheres mais filhas da puta. Desencanei porque a lista pede 15. Não, eu não cheguei à 15 mulheres. Mas as bicas, pseudo-pegadas e punhetas contam, sem dúvida.

No começo do período blogsome, eu estava em estado de epifania. Eu escrevia merda com classe, uma coisa dessas. Foi desgastando, desgastando e hoje eu fico esmolando um texto para um pobre hidrocefálico. É dura a vida de pobre e deficiente na tal da blogosfera.

Posso até levantar uns panos aí e tungar uns posts, tá ligado. Chegar no playboy e pedir logo o pisante. Pô, o Zé Simão rouba textos e publica na Folha, por que eu não? Só porque o cara é biba? Eu não dou o brioco, mas comi menos mulher do que muito viado por aí. Salvo conduto, cazzo.

Tá, vou fazer o seguinte, vou escrever o que vier, sem editar, sem mexer em nada. Fica uma bosta, claro que sim. Mas se você não quiser ler, vai comprar presente de Natal para a família e vê o quanto é divertido. Vai, anda!

O famoso "quem indica"

- Cara, você já pegou toda a mulherada do escritório?!
- Opa, Amandinha, Flavinha, até a Dona Neusa. Sobrou ninguém para contar história.
- Mas porra, tu é estagiário. Tem de ficar aqui o dia todo desentortando clipes, tirando xerox, essas coisas…
- Ah, eu dou meus pulos né… e outra, não preciso desse trabalho pra viver.
- Não?
- Claro que não, eu sou podre de rico.
- E tá fazendo o que aqui?
- Ah, eu venho comer a mulherada, mas ninguém acredita.
- Que você é podre de rico?
- Não…
- Que você come a mulherada?
- Não…
- Não acredita no que então?
- Que eu tiro cópias tão perfeitas.

Ele correu para falar com o chefe.

- Pô, quem contratou o moleque?
- Eu, é meu filho…
- E puxou o pai, de tão competente!

Deixou a sala com sentimento de dever cumprido. Se falasse do estagiário, seria enrabado pelo chefe. E não sabia se tinha um lance hierárquico ou não na história do moleque. Quem tem fama, deita na cama. Quem não tem, rebola na cabeceira dela, doendo ou não.

Viu, ficou uma merda.

Gone, baby, gone - Dennis LehaneDecember 18, 2006 7:21 pm

A gente não lembramos mais da bengala de Ives, o bom velhinho que deu nos cornos do Zé Dirça. Aliás, nem lembramos mais do Zé Dirça. Eu abandonei layout foda de bonito por causa dele, visto que o blogger, entidade governista, não deixava eu falar mal do Pedro Caroço.

Agora uma mulher na Bahia furou o bucho do ACM Nato. Tá aqui ó, para deleite, orgasmo e vontade de muita gente. São as novas armas da República, a bengala e a faca. Quando os vagabundos resolvem duplicar os próprios salários, dá nisso. Nego finge que é um assalto quando, na verdade, é combate a um assalto. Vá lá que a distinta foi para cima do Pequeno ACM só para dar de comer para a criançada. Vá lá que foi para comprar droga, ou um CD da Daniela Mercury, dá no mesmo. Importante é o alvo, não o intuito. Rasgar o bucho do ACM é como ver o bom velhinho realizando o sonho de Natal de muita gente. Para quem não acredita, olha aí a prova de que ele existe e mora no Brasil. Aliás, está fodido por isso. Prefere a Lapônia.

E do aumento, tem a máxima de José Múcio, dePUTAdo do PTB, aquele mesmo, de Pernambuco. Diz ele, sobre o aumento:

"Se não tiver aumento, vai haver uma fuga de cérebros.".

Tem outra também, de Gilberto Carimbão, do PSB - Partido SOCIALISTA Brasileiro, de Alagoas:

"Acho que ganhar bem não faz mal a ninguém, não é desonra.".

Daí você pega as duas declarações e casa. O cérebro de Carimbão (nomezinho filho da puta), se fugir, mal será enterrado como indigente, quando achado morto. Se é que um dia uma merda dessas viveu. Valei São Sérgio, de lá do céu verde catarreado (e foda-se se catarro conjuga verbo ou não):

"Povo bunda, País bunda, Legislativo bunda.".

É, Serjão. Uma grande merda.

Gone, baby, gone - Dennis Lehane 2:08 pm

Pouco foi dito sobre futebol neste blog, durante o ano de 2006, por razões não tão claras. Não, o Corinthians não merece o silêncio por conta de um ano pífio, pelo contrário. Cada vez que essas coisas acontecem, o nosso corinthianismo cresce mais e mais, sem dúvida. Pode-se, talvez, culpar os passeios que este resolveu dar por diversas áreas da literatura, sem resultado concreto. Brincou-se de clássico, de policial, de um monte de coisas. Fato é que a incapacidade de se escrever sobre futebol, apesar de gostar fervorosamente do esporte, pode ter sido o fator determinante. Enfim, a culpa não é do Timão.

Porém ontem, ao acompanhar as comemorações pelo título do Internacional de Porto Alegre, não pude deixar de me sentir um pouco contente pela constatação óbvia de que os times europeus, por mais que insistam em levar nossos craques como se fossem cana de açúcar para a Metrópole, jogam bem menos do que os "shows" apresentados na ESPN e afins contra os sul-americanos em geral, brasileiros em especial.

Impressiona como até os craques do continente se perdem quando jogam contra o pessoal daqui de baixo. Ronaldinho Gaúcho, por exemplo, é um gênio. A ele só falta uma coisa, que sobra em grandes craques da história como Pelé, Cruyff, Beckenbauer, Puskas e mais um tanto: falta-lhe objetividade. Alguém pode dizer que Garrincha não o tinha, e eu digo que Garrincha não existiu. Era uma criação do imaginário futebolês, uma mágica que nunca veremos igual e que todos os citados acima, incluindo o "um tanto", se somados, não chegam próximo do que fez o moço das pernas tortas. Enfim, retomando, Ronaldinho Gaúcho inexistiu ontem pelos vícios táticos da Europa que, em tempos de globalização futebolística, resolveu apelar para o individual esquecendo de seus grandes escretes táticos, aqueles que mais pareciam os exércitos de outrora, como a Holanda do Carrosel e a Alemanha do Kaiser que bateu a citada.

Ano passado deu-se a mesma coisa. O São Paulo, com plantel inferior ao do Liverpool, passeou em cima dos ingleses em um estilo de jogo que, historicamente, é deles: faz o gol e põe onze na cabeça da área, tal qual Stalingrado contra os nazistas. Mesmo Gerrard, um dos jogadores que melhor bate na bola nos tempos atuais, não conseguiu furar o ferrolho tricolor que, como se não bastasse, ainda dava seus pitacos lá na frente à cada vinte minutos. O Inter teve até mais brio do que o São Paulo, atacando um pouco mais. E tem um fator que eleva ainda mais o título: o fato de ser contra o Barça, o time mundial que mais deveria nos remeter ao futebol de casa. Não, eles continuam sendo europeus atuais, a criação maldita do futebol de um homem só, onde se contrata vários craques para que um deles resolva o jogo, onde o coletivo é lembrado por alguns passadores como Deco e o próprio Ronaldinho, que lançam o Eto’o velocista área adentro para um drible espetacular ou algo do tipo. Lindo de se ver, ótima cena em câmera lenta. Mas nenhum deles é tão companheiro de clube quanto Yarlei, que dribla, olha e, em uma demonstração de confiança no coletivo, passa para Adriano Gabiru, matando metade da Torcida Colorada do coração pelo passe e outra metade quando o gol sai. Sim. dá para morrer de alívio também.

O Inter fez ontem, assim como o São Paulo de outrora e o Santos de tempos remotos, aquilo que faz do futebol um esporte tão apaixonante quanto estranho: ele derrubou um gigante que usando de armas nossas e armas deles, não consegue derrubar a colônia. Mesmo porque isso é papel para o Ricardo Teixeira e para diretorias como a do Corinthians, esses sim Zidanes, Ronaldinhos, Kakás e Cannavarros no que diz a vencer os clubes e o futebol brasileiro.

Parabéns ao Internacional, que ontem tirou o título de melhor do mundo do Barcelona e dos são paulinos. E parabéns a torcida, que faz a festa em uma avenida chamada Goethe. Só o nome já vale a ida.