O Lima chegou ao Escritório montado num belo alazão branco, disposto a salvar a Secretária Executiva das garras do terrível Papelada e à tempo de tomar o choppinho do Happy Hour, a famosa taverna do ilustre Garçom. De espada em punho, encontrou pela frente o infame Office-boy e sua legião de jogadores de fliperama, desentortadores de clipes e compradores de papel carbono em pó. Brandiu a arma e, em nome da lei, da bravura e do holerite no fim do mês, em segundos acabou com o infame grupo, restando apenas o Boy, que fugiu correndo antes que o banco fechasse.

Dona Mirtes, dizia a lenda, cuspia fogo pelas ventas, algo tão apavorante quanto sua temida lança com espinhos em uma das extremidades, chamada de vassoura. O Lima entrou cavalgando pelo corredor, onde Mirtes, A Terrível, aguardava do outro lado, em posição de combate. Um rápido e certeiro golpe no flanco do alazão o tornou rubro no mesmo instante. Lima, num átimo, saltou do animal em direção à jugular da terrível Faxineira; com o escudo, protegeu o peito. Com a espada, deu cabo daquele monstro que, vendo o fim próximo, praguejou:

- Nunca mais sua mesa será limpa, seu Lima!

Depois de pequena prece ao pobre Coletivo, o alazão branco, Lima seguiu à pé de encontro ao Gerente, o Maldito, um antigo Rei que caiu em desgraça quando as ações do Reino Empresa caíram na Bolsa. Destinado a viver de pequenos feudos no Escritório, o Gerente ansiava por conquistar todo o Reino e, para isso, o apoio ao terrível Papelada era essencial. Reunido o séquito, o implacável Gerente disse que Lima não poderia passar, caso contrário cabeças rolariam. E rolaram, pois Lima, excelente espadachim, ambidestro e tudo mais, derrotou o temível grupo dos Puxa-Sacos, não conseguindo chegar ao Gerente, pois o mesmo estava em uma reunião com a equipe.

E eis que um riso de escárnio surgiu, após a batalha contra os Puxa-Sacos. Ele, Papelada em pessoa, veio para o duelo final contra Sir Lima. O nobre cavaleiro sentiu as pernas bambearem, mas segurou firme e, por São Vale Refeição, não poderia deixar que nada de mal acontecesse à Secretária Executiva nem ao choppinho do final de tarde. Papelada, impiedoso, valeu-se logo de formulários como a DARF, o CAGED e outros como IRPF e o IPTU, de propriedade dos sábios diretores do Reino Empresa. Lima, defendendo-se com galardia, via suas forças se exaurindo, enquanto a pobre Secretária gritava por socorro na mais alta sala do mais terrível Conjunto Empresarial. Papelada, por sua vez, atacava sem dó, até que viu o pobre Lima subjugado e, sem clemência, deu-lhe com um bloco de notas, todas a terem o valor do IPI corrigido, o que destruiu o escudo do nosso herói, deixando-o a mercê da mais terrível arma já usada pelo homem, o infame Relatório.

Vencido pela burocracia, o cavaleiro teve de fazer serão. E como nem tudo é conto de fadas nessa história, Sir Lima não recebeu hora extra. E também não tomou choppinho com a Secretária.