Era estranho alguém mais gostar de imperioso. E ela disse que gostava. Hecatombe então, criaria uma Supernova. Aliás, Supernova entra na lista dele que, concomitante, achava o máximo dizer concomitante. E é imperioso dizer que aquilo não era normal. Não que não fosse bom, era ótimo, mas não era normal; duas pessoas separadas por uma fronteira não poderiam ser assim, um tanto iguais, não só na lingüistica.
Afinal de contas, fronteiras separam os diferentes. Fronteiras até criam guerras! E eis que, mais que de repente, aquela fronteira não existia e os dois falavam, e pensavam, em uníssono. Que, aliás, era outra palavra que ele adorava, mas não sabia qual a opinião dela.
Mas sempre "haveria de haver", como talvez diria o Dadá Maravilha, a tal da fronteira. Por mais que dissessem, mineiros e paulistas, que era café com leite, eles não ocupavam o mesmo copo. Havia sempre a fileira de pratos a separá-los. Era um oxímoro: tão próximos e tão distantes. Aliás, o oxímoro veio dela, não dele. Dele viria paradoxo.
Mesmo com alguns poréns, a história da fronteira perdia a razão de ser; apagava-se tudo que havia sido escrito e dito sobre linhas divisórias, onde eles não davam a importância que o mundo dava para pedaços de terra. Para eles, a Polônia era só a Polônia, com Alemanha ou sem Alemanha.
Era estranho, também, o fato de que eles, mesmo conhecidos há pouco, já pareciam ter algo que remetia anos pregressos e tal. Não que ele fosse crente desse lance de vidas passadas, mas ela sabia demais para quem não era da CIA ou da KGB. E ele sabia demais para quem nunca viu de perto o Golbery. Talvez soubessem muito porque estavam descobrindo muito e, a cada uma dessas descobertas, novas vinham à tona. E outras. E outras.
Sem contar que ele, muito tímido, ainda teria muitas fronteiras e palavras pela frente. E ela, talvez sem eufemismos, não haveria como dizer o que tinha achado, afinal. Porque no fim das contas, para os dois, o princípio havia sido um par de palavras, jogadas numa frase. Por sorte, as dele tinham sujeito e predicado e ela havia gostado. Por sorte, as dela haviam sido incisivas, únicas, memoráveis. Por sorte, a conexão não caiu. A bem da verdade é que eram limítrofes. Fossem Brasil e China, fossem Japão e Chile. Aliás, limítrofe é uma ótima, não?

Por sorte, a conexão não caiu.
limítrofe é perfeito
Comment by estacoesdodia — October 16, 2006 @ 4:57 pm
Se falar hialina pra mim, eu gozo.
Comment by Zé — October 16, 2006 @ 5:44 pm
Hum…hecatombes imperiosas e oxímoros limítrofes. Que tal acrescentar insopitável, inebriante e vertiginoso?
Comment by Lívia — October 16, 2006 @ 6:17 pm
Oscilando entre o efêmero e o absoluto
“sobre” e “sob” as palavras… e de cada um dos lados … e entre todas elas …
Comment by Fê — October 16, 2006 @ 8:14 pm
mimimi
*vomita
Comment by Junior — October 16, 2006 @ 8:17 pm
“de inopino” não tem pra ninguém
Comment by Lilhá — October 17, 2006 @ 12:04 am
Mimimi e ainda por cima gramatical…
Vamos ter que interná-lo. Ou sacrificá-lo. (hum)
Comment by Gabi — October 17, 2006 @ 2:31 pm