Diz que fui pra Nova York ou pra Bagdá
Então lá estava ela, cabelo pintado de ruivo, cerca de 1,70 m, pernas cruzadas, joelho à mostra, junto com um pedaço suculento de coxa. O vestido era azul, preto, marrom, vermelho, encolhia e aumentava, subia e descia. Variava conforme visão, ora turva, ora não. Inebriado, mesmo mais sóbrio do que a Madre Teresa. Era isso, era eu.
Aí vem a grande dúvida: por que aquilo tudo não é meu? Eu, que tenho sintomas por ela, que fico doente, que fico bom, são, insano, casto, pecador, caça, caçador; Fábio Jr., meu Deus, estou citando Fábio Jr., onde eu estou com a cabeça? Enfim, por que não é meu? "Porque é de outrem", diz alguém da platéia. E a livre concorrência? "Não cobiçarás a mulher do próximo". Ide a puta que o pariu, junto com o conselho e o próximo.
Pergunta um respondida, vem a número dois: como ir até lá? É um workshop sobre economia afegã. Eu vou lá dizer o quê, que não suporto a Al Qaeda? Que acho o Osama um puto? Que repudio a opressão à mulher no Islã? Bah, eu deveria mesmo era chamar para tomar uma cervejinha depois, abrir esse vestido de uma forma humanamente impossível e ver no que dá.
Duas respostas, falta uma terceira: abordagem. "Abordagem? Vai fazer o que, bater a carteira? Levar o toca-cds?". Ok, ok, dizer o que? "Oi?", "Tudo bem?", "Posso?" e tomar o lugar do lado como se fosse Berlim? Isso é o de menos, minha tirada humanamente impossível de vestido me garante. Certo é antes preciso sustentar o assunto, dar base, fazê-la rir, enlouquecer tal qual o maldito fecho éclair do vestido me enlouquece. Brega, muito brega, me veio Kleiton e Kledir! Não tem problema, eu hei de chegar ao "maldito fecho éclair". Assim mesmo, insistindo na referência:
- Oi…
- Oi…
Revirou os olhos, ar de tédio. Talvez um abajur cor de carne e um lençol azul resolvam.
- Tem um chopp ali, do outro lado da rua, que é uma coisa.
- E?
- E daí que eu pensei que…
- Que bom!
- Que bom? Você topa?
- Não, que bom que você pensa.
Hora da blitzkrieg. Atacar de forma fulminante um único alvo, não deixando pedra sobre pedra.
- Sabe, quando eu tirar esse vestido de forma humanamente impossível, te darei o céu, meu bem.
- Querido, mesmo que você fosse o maior costureiro do Universo, não tocaria em um fio deste vestido.
- Então nada de choppinho?
- Nada.
- É pena.
- Por que?
- Duas passagens para a Riviera Francesa e eu vou ter de ir sozinho.
- Choppinho e França?
- Querida, eu vou tirar você desse lugar…
E assim, do choppinho, foram para a casa dele e depois para Ubatuba. Riviera Francesa que nada, a forma humanamente impossível de tirar o vestido garantiu tudo. Isto, além dos conhecimentos ocultos do cancioneiro brega nacional, faziam o sangue dela ferver pelo dele.

Interesseira…
Comment by Bruno — October 9, 2006 @ 2:22 pm
Jesus
Comment by Junior — October 10, 2006 @ 4:21 pm
Caralho!
Comment by Lívia — October 14, 2006 @ 1:27 pm