Me chame de burro, de idiota, de Lula, de Alckmin, enfim, do que você bem entender.
Ali, na cabina, não sabia qual número digitar. Em 2002, estava em frenesi, vivendo uma epifania. Era Lula, era "o povo no poder". Eu comprei a idéia e, nada de "mais espere" no melhor estilo Polishop, não tinha nenhuma promoção. Quatro anos depois do governo "mais do mesmo", acrescido de denúncias mil, infâmias absurdas e messianismo tacanho, eu não sabia quais dois números eu deveria digitar. Aproveitando que o Febeapá foi engrossado, nunca na história desse país alguém ficou tão fulo da vida quanto eu. Nunca na história desse país alguém ficou tão sem argumento quanto eu. Nunca na história desse país alguém mandou a mesma pessoa tomar no cu tantas vezes, em silêncio, reservado no Santo Ofício de um dia ter votado no Barbudo, quanto eu. Nunca na história desse país alguém disse tanto "mas que caraleo, Lula", como eu disse. Eu, eu, eu, eu, EU!
Eu poderia protestar, ir contra o Lula. Tinha o Alckmin que, pelo amor de Deus, Marx, Basílio ou qualquer outro santo, alvinegro ou não, é o lacaio mais bizarro do FHC que eu já vi. Tinha a Helô, mulher, caçadora de "marajás", esquerdona a torto e a esquerda; puta merda, como me lembrou a campanha do Collor, a inovação que vem do Nordeste. Me faz lembra dos areais e coisa e tal da Tieta, sabe-se lá por quê. Tinha o Cristovão, homem de biografia íntegra, preocupado com um dos pilares de uma Nação, a educação do povo; partidário do PDT de Paulinho da Força e, bate na madeira para citar o nome, Leonel Brizola, sempre precedido pelo famoso "Putaquemepariucomrodinhas, você tá falando do Brizola?!". Luciano Bivar "Hectabombe", nem por brincadeira. Eymael, terror dos jingles políticos, menos ainda.
Aí você pode dizer "Ei Júlio, mas é o Rui Pimenta". Não, não voto em protesto. Perdi o gosto. De 2002, lembro do meu choro na posse, lembro do final de Entreatos, o faxineiro do hotel de luxo em Sampa dizendo para o Lula "agora você vai ajudar a gente". Puta merda, ele deveria ter nos ajudado, ajudado o Brasil. Por mais que seja um adorador de palanque, um ególatra, o "nunca na história desse país", diabos, custava nada fazer o mínimo, aumentar o mínimo, maximizá-lo!
Puta que me pariu, é o mesmo país que mandou o Collor para o Senado. O mesmo povo que votou no Maluf, no Clodovil, no Valdemar Costa Neto. Até o Genô voltou! Joga pedra no Genô, Chico!
Em um lugar normal, essas pessoas não seriam quiçá síndicas de prédios. Em um lugar normal, eu teria candidato à presidência. Mas não aqui, não nessa eleição. No dia de ontem, eu queria jogar aquela maldita urna pela janela. Menos mal que tinha a foto do Suplicy por lá.
E assim, nesse país bizarro, eu votei 99. Nulo. "Nulo" Leal Maia, porque, se é para foder de vez, votemos n’O Bem Dotado Homem de Itu*, de modo que ele satisfaça, ou não (vai do teu gosto, leitora ou leitor), esse país de dimensões continentais.
* Um clássico da Sala Especial, que passava no SBT. Conseguir isso em VHS é um feito homérico. Em DVD, um feito quixotesco. Na vida real, um feito dantesco!

Hahahahaha. Não adianta o mea-culpa meu caro. Pregas arrombadas não voltam ao cú! Salvou-se que o “Jesus Cristo (sic)” se fodeu e eu sinto o sabor da serramalte aumentando em minha boca \o//
Comment by Junior — October 2, 2006 @ 5:13 pm
Você se esqueceu do Clodovil. Ah, e do Frank Aguiar, que disse aos fãs que não os desapontaria, que de segunda a sexta é o plenário e aos finais de semana show.
Tenho verdadeiros arrepios de vergonha. Povão é uma merda, só faz merda, tem que morrer na merda.
Comment by Sandrita — October 2, 2006 @ 5:37 pm
Votei no Lula. De novo. Fiz uma promessa de nunca votaria em branco ou nulo, e tenho que cumpri-la. E pra mim votar em Heloísa, Cristovam, Eymael, Rui Pimenta (que não votou nele próprio!) seria anular o voto, então só tinha dois candidatos para votar: Lula e Alckmin, e eu não consegui votar no tucano, pois não esqueço dois oito anos que os tucanos acabaram com quase todas as nossas estatais, entre outras coisas.
Comment by Bruno — October 2, 2006 @ 6:12 pm
tás brincando que você anulou
Comment by Lelê — October 2, 2006 @ 6:40 pm
anulei pra presidente tb! para governador fui de plinião!
acho que se o alckmin ganhar eu me mudo para o camboja!
Comment by desconjumina — October 2, 2006 @ 7:01 pm
Nunca pensei q fosse dizer isso Julião, mas tava ansioso pelo seu texto sobre as eleições. Logo eu q odeio política.
E é triste perceber q ao protestar, nós só vamos é nos atolar em uma merda ainda maior.
Comment by Tiago — October 2, 2006 @ 10:50 pm
O dito popular diz que as moscas mudam mas é sempre a mesma merda.
O que acontece quando nem as moscas mudam?
Comment by Eric — October 3, 2006 @ 12:09 am
Nem comento senão a gente briga.
Comentei =/
Comment by Lilhá — October 3, 2006 @ 1:34 am
Eu fui de 50 em tudo, tirando o Supla. Jurei que não ia votar nem na quadrilha de sempre da direita nem na neoquadrilha dos esquerdistas arrependidos. Mas confesso que a perspectiva de ver o Geraaaaldo sentado na cadeira presidencial por 8 anos açula meus instintos mais primitivos…
Comment by Tatu — October 3, 2006 @ 4:21 am
Eu consegui esquecer totalmente da política durante dois dias. E meus lindos dedinho não tocaram nenhuma urna fétida. E tô muito feliz por isso.
Comment by Sol — October 3, 2006 @ 3:45 pm
Discordo. Tínhamos um candidato. Ou melhor, uma candidata. A Heloísa Helena não merece comparações com o Collor, nem com o Lula, como vi muitos fazendo. Traçar um paralelo desses é no mínimo má vontade, que pode até estar ligada ao preconceito de por uma mulher nordestina no poder. Acontece que ela sem dúvida era a mais preparada e agora que o povo que mais precisa de reformar e mudanças jogou a escória capitalista e a decepção, (também votei nele na última eleição) é que não existem possibilidades. Agora ou voto nulo, com a consciência de que é a mesma coisa que não fazer absolutamente nada, ou, com muita dor no coração, voto no Lula, apenas para impedir que os tucanos voltem ao poder e à venda do nosso país à ALCA e ao FMI.
Comment by Rodrigo — October 3, 2006 @ 4:17 pm
Ah! E você votou no Plínio, que possui os mesmos ideais da Heloísa. Contraditório, não?
Comment by Rodrigo — October 3, 2006 @ 4:41 pm
Eu justifiquei. Mas teria votado nulo, uma vez que o sonho da esquerda acabou e minhas convicções de vida me impedem de votar em uma pessoa da Opus Dei cuja esposa é um clone da Sandy do futuro.
Ia meter um 99 bonito, pra mostrar pro bando de filhos da puta que uma boa parcela da população está de saco cheio dessa merda.
Comment by Gabi — October 3, 2006 @ 5:35 pm
Antes de mais nada, minhas desculpas por invadir o seu espaço. Você não me conhece, deve estar pensando “quem é esse louco”? Eu caí ao acaso algum dia no “Buerão”, e gostei do estilo do rapaz de escrever…e acabei acompanhando periódicamente. Consequentemente encontrei o seu blog aqui. Muito bom também, adoro seus textos.
Mas quanto à Heloísa, continuo discordando. Sinceramente não vejo onde ela possa ser uma marionete dos direitistas, quando ela justamente saiu (em companhia de Plínio e outros companheiros) do PT, quando este passou a trair os próprios princípios que um dia defendera.
Mas cada um tem a sua opinião. Felizmente você pelo menos não votou na traição do PT ou no neo-liberalismo da coligação PSDB/PFL. Enfim, parabéns por ter essa consciência política e continue desse jeito. Só peço que pense um pouco melhor sobre a Heloísa. Acho que o nordeste é o ponto forte do Brasil em quesito de riqueza e geração de pensadores. Só ver o exemplo fora da política, como Raul Seixas, na música, e Glauber Rocha, no cinema. O que falta é a estrutura para apoiar o desenvolvimento intelectual. Sou fã dos nordestinos e acredito que quando o investimento sobre eles for maior, o Brasil crescerá muito mais. Abraços.
Comment by Rodrigo — October 3, 2006 @ 10:27 pm
Heloísa Helena? pelo amor de Deus gente!!! Pensei seriamente em Cristovam Buarque… Lula me decepcionou tanto (também chorei na posse dele) que não consegui na hora H votar nele. Tentei anular, mas não teve jeito, a consciência pesou e escolhi o Alckmin só para ter um segundo turno. Agora já não sei o que faço, acho que vou pular da ponte…
Comment by Josué (Rodrigo) — October 4, 2006 @ 10:26 pm