Depois do Günther Grass assumir na autobiografia Descascando a cebola (por sinal, um título que só pode ser sacanagem) que era da juventude hitlerista, que fez parte da Waffen SS e patati e patatá e depois do Gabriel Garcia-Marquez escrever aquela bomba chamada Cem anos de solidão, entre outro exemplos, agora é a vez do Hemingway entrar na galeria dos escritores com potenciais homicidas premiados com o Nobel de Literatura.

Se você não entendeu porra nenhuma até agora, eu explico: o tiozão, famoso pelos relatos no front durante a Segunda Guerra e por livros como O velho e o mar (e haja paciência, torcida brasileira!) e Por quem os sinos dobram (nome do caraleo de bonito de livro, rapá), mandava umas cartinhas amáveis (coloque muita ironia aqui, por favor) aos amigos, onde dizia que gostava de matar os "chucrutes" e tal. Em uma delas, chega ao orgasmo por ter dado cabo de 122 alemães. Se fosse no Medal Of Honor, era recorde!

Aí você me diz: legal Júlio, você leu o Estadão hoje, se mostra informado e tal, mas explica, PUTAQUEMEPARIUDERODINHASLASERCANHÃODEIÓNEDOISTUBOSDEHIDROGÊNIO, o que eu tenho com isso?

Bom, você escreve. Logo, você produz literatura, certo? Tá, você pode ser um dos meus, que não produz nada. Nobel então, só a livraria. Mas, de qualquer forma, nós, enquanto [piada on] escritores [piada off], temos de expiar os pecados de ontem. Sessão Descarrego na ABI, com direito a cházinho servido pelo Sarney. E lá vou eu aproveitar o espaço para dizer que, um dia, eu encenei o Collor no teatro da escola. Aproveito também para dizer que, um dia, eu votei no Alckmin. Assim como eu votei no Lula. Posso ainda contar que, certa vez, eu dormi na porta do Metrô Santa Cecília por causa de uma mulher que não valia uma bala do Hemingway ou do Grass. Ou dizer que quase comecei a vida liteária com Paulo Coelho. O quê isso importa? Nada, assim como os relatos do dos escritores. Mas, numa boa, eu preferia ter matado 122 alemães a ter votado no Lula e no Alckmin. Acho que eu ficaria muito bem no uniforme da Waffen SS, em comparação com Diário de um mago nas minhas mãos. Que merda, eu poderia ser o loser do Sartre, que não foi receber o prêmio porque o Camus ganhou e mimimimimimi.

Depois todo mundo diz que blogueiro é loser. Porra, a única coisa que nos diferencia dos vencedores do Prêmio Nobel é que temos urls. E pontuamos, ao contrário do Saramago.

PS: Nada contra o Saramago, que eu acho foda. Nada lido do Günther Grass. Nada paciente com Hemingway. Tudo contra Cem anos de solidão. E joguem as pedras, caraleo!