Coincidência foi o Jorge e o Abreu, depois de vinte anos, se reencontrarem na porta da creche dos filhos. Saíram para beber, relembraram histórias, marcaram programas família, viram os filhos um do outro, concordaram que a Elisa era a mais gostosa da turma, mesmo vinte anos depois. Essas coisas da nostalgia.

Coincidência foi o Mário encontrar o diário do pai, um quase-famoso escritor, sendo vendido em uma livraria sebo à dois reais, dar uma limpada, uma lida, outra lida, uma revisada, chacoalhar o excesso de texto e, quando limpo o bastante, publicar e virar best-seller.

Coincidência foi a da Ana, que num dia de chuva achou seu guarda-chuvas predileto ao sair da estação do Metrô, na mão de um guarda. Mostrou a identidade, que batia com a ficha que tinha no guarda-chuva (era a paranóia, é claro), além de uma foto com o mesmo em Paris. Foi para casa sem se molhar.

Coincidência foi a Clara e o Alceu se odiarem por pelo menos três quartos de suas vidas e, anos depois, terem se reencontrado e dormido juntos, acordando casados. Ele tinha um filho de outro casamento, o Jorge. Ela, era mãe do Abreu. Os dois estudaram juntos, em tempos de cólera, o que dá uma dupla coincidência.

Agora não foi coincidência encontrar a ex-namorada no ônibus - toda feliz e sorridente, flertando com um dos passageiros - e dar um tiro no joelho dela. O nome disso é amor.