Se tinha uma pessoa que não precisava ser interrogada, essa pessoa era a Víuva Negra. Afinal de contas, era a síntese da Blogagi, que nasceu justamente de uma reunião realizada tempos atrás na casa dela, filho de pais desconhecidos.

Não se sabia ao certo o por quê de Viúva Negra, visto que não era casada. Os íntimos diziam que era o humor. Perdia o amigo em um acidente de carro, mas não perdia a piada sobre o tamanho da cabeça, principal causa da tragédia. Por ser metódico demais, Barollo resolveu arriscar, convocando a Viúva para umas perguntas de rotina. Entrou na sala apoiando o paletó no ombro, chapéu panamá na cabeça. "Cubano? Chamo ele de Fidelito?" pensou a Viúva, que acabara de colocar o cigarro no cinzeiro, filtro rubro, tal qual as unhas, tal qual a cara do detetive.

- Onde você estava na noite de 18 de Setembro?
- Numa cama imensa…

Conforme Barollo havia cogitado, a Lôra mentiu.

- Fazendo o quê?
- Coisas de blogueiros…

Mais uma mentira.

- Você sabe por que eu te chamei, né?
- Claro, para saber como eu consegui 470 vitórias consecutivas no Mario Kart!
- SÉRIO? TÁ BRINCANDO!

Era o começo do fim de Barollo, que mordeu a isca feito um pato. Muito burro, patos não mordem iscas.

- Sério… - disse a Viúva, segurando de forma lasciva o cigarro com o filtro vermelho.
- E como você fez isso? COMO? COMO?

Barollo esmurrava a mesa, em um estado de epifania. A Viúva colhia os louros da vitória.

- Um dia eu te conto…
- Quando?
- Quando você lembrar o por que da minha convocação até aqui…

Era o golpe final. Barollo esqueceu completamente o que a Viúva fazia ali. Sua mente ia de Mário para Luigi, de Luigi para Mário. Nunca havia pensado tanto em encanadores em toda a sua vida, mesmo na época em que trabalhava no sindicato.

- Er… hum… bem… alguém morreu, acho eu…
- Antes ele do que eu! - disse a Viúva, justificando o apelido ao deixar a sala.