O nariz do detetive sangrava. Do outro lado da mesa, a mão do interrogado, vermelha, denunciava que a cor vinha de sangue alheio. Essa mesma mão manchou o isqueiro prateado do detetive, que esboçou protesto:

- Mas que mer…
- Shhhhhhhhhh!

Vem um flashback. Uma mão pequena, pequena, média, média, grande, imensa. O rosto virando uma massa disforme, graças ao impacto. "Porque o puto do Newton não diz que dói tanto!", pensou o detetive. Era tarde, e a tese se defez. Ação sem reação. "Chupa, Newton!"

- O que você quer, afinal de contas?
- Estou interrogando todos para…
- Interrogando?

O estralar de dedos e costas não negava. Só faltou uma loira gostosa de biquini curto para indicar, com a placa, que vinha segundo round.

- Conversando com todos os membros do Blogagi. Como você sabe, ele foi assassinado.
- E?
- E? Você é um membro da Blogagi!

A mesma mão vermelha voou em direção ao colarinho. "Eu mato o imbecil que não algemou até a nuca desta besta!".

- Escuta aqui, seu merdinha! Enquanto você lia DC, e DC fede, com seus amiguinhos da Comic Con, eu fazia massa de pão com vagabundos que vinham com perguntinhas imbecis! Então eu não vou perder a porra do meu tempo conversando com um detetive de merda igual você!

"Que vontade de fumar um cigarro!". Foi tudo que veio na mente do detetive no momento. O isqueiro prata, sujo de sangue, causou asco. Pensou em parar de fumar no mesmo instante.

- Tá bom, tá bom… sejamos práticos pois isso tá virando palhaçada. Apanhar cansa!
- Tá… o que você quer saber?
- Quem matou o Blogagi!
- Eieiei, mais baixo… eu acho que foi o Eric. Ou o Théo. Eu sempre confundo, os dois são a mesma pessoa.
- Algum motivo especial?
- Tá querendo apanhar?
- Ok, ok, não saia da cidade por um tempo. E lembre-se de que…

O detetive titubeou.

- Lembrar de?
- Lembre-se de que você é uma peça importante na investigação, por conta de suas suspeitas.

Nota mental: nunca, nunca, interrogue alguém mal-humorado.