A luz forte incidia diretamente nos meus olhos e condenava que a ressaca estava brava. O cavanhaque do detetive, no estilo revolucionário dos anos 50, e o cachimbo davam um ar de museu de cera da Madame Toussaud à sala de interrogatórios. O trago me lembrou que, com mais uma daquelas, poderíamos dar adeus à todas as Vias. Lácteas ou não.

- Júlio, as dúvidas pairam sobre você…
- Impossível, por diversas razões.
- Quais?
- Primeiro que um cara que se orgulha de ter 14 blogs, que conta os mortos e tudo o mais não faria uma coisa dessas. Segundo, o Blogagi era um dos únicos blogs respeitáveis do qual eu fiz parte até hoje. Terceiro, eu…
- Você?
- Eu nunca, nunca, mataria um blog!

A cadeira voou para o canto da sala. O murro na mesa fez com que café, cinzeiro e donuts fossem ao chão, assim como a minha pressão. A cena de Fidel Castro esmurrando Fulgêncio Batista me veio na mesma hora…

- Júlio, pela última vez: QUEM DELETOU O BLOGAGI?
- Eu… eu… eu…
- QUEM?! Fala "eu" mais uma vez! Fala! Fala que eu dou um tiro no dedão do seu pé, se você disser "eu" mais uma vez!
- E…
*click*
- Então… olha, eu tenho um Pentium 100, com 8 Mega de memória e conexão discada. É mais ou menos como se eu tentasse matar o Kennedy com um estilingue! Além disso, eu…
*click*
- É, nunca faria uma coisa dessas com o Blogagi. Meus melhores textos estão lá…
- Ok, ok. Por enquanto você está dispensado! Não saia da cidade por uns dias. E lembre-se que todos os seus passos serão vigiados.
- Oficial Barollo, só uma coisa…
- O quê?
- Me arruma uma fralda?

Não percam a incrível saga em busca do assassino do Blogagi, um jovem blog vítima de uma conspiração internacional. Breve no Youtube.