- Taí, saudade era um troço que eu não deveria ter…

- Ah, é claro que deveria!

- Não deveria nada. Tá certo que, tudo somado, dá mais saudade do que qualquer outra coisa, mas eu não deveria…

- Por que?

- Porque não, porque essa é minha vontade, oras…

- Não é não…

- Claro que é!

- Se fosse, você nem puxava no assunto. Taí doido de vontade de construir um DeLorean para voltar no tempo, mas não pode, bestão que só você é.

- Viu, essa é a diferença!

- Que diferença?

- Voltar no tempo é uma coisa. Sentir saudade é outra.

- Claro que não!

- É sim… vê só: saudade você sente de tudo, mesmo dos momentos ruins. Já voltando no tempo você com certeza sofrerá um conflito ético sem tamanho, querendo consertar tudo, talvez para ter mais saudade.

- Você é bizarro, sabia?

- Sou?

- É, você racionaliza tudo. Você pode voltar no tempo somente por sentir saudade.

- Se eu racionalizo, você só vive de lançar hipóteses absurdas para justificar as coisas que você sente, você quer, essa bobagem toda.

- Eu acho que você devia se soltar mais, sabe, talvez sentir mais saudade.

- Bah, eu vou é cuidar de nós dois, isso sim. Se segura que lá vem vindo uma dor de cabeça causada por uma bela ressaca.

- Ai ai…

- O quê?

- Ele bebeu para tentar acalmar a saudade…

- Não, ele bebeu porque estava no copo. Simples.