- Três no fundo!

- Sabe, a vida é como aquela bola oito…

- Por que? A coisa tá preta?

- Não, não, porque ela está ali, na berlinda, mas a qualquer hora alguém, ou algo sei lá, pode tirar ela dali…

- Tá querendo pegar quem?

- Ninguém, é só uma alegoria, por que?

- Porque para mim, pareceu que você estava falando de mulher. Meio veadinho, vá lá, mas de mulher.

- Como assim?

- É, sua vida tá meio que uma draga, a coisa tá preta, pela oito mesmo, daí vem alguém, no caso uma mulher, ou algo, no caso um amor, e te salva. Não é uma alegoria boa, pois aquela bola, para ser salva, precisa do erro…

- Mas pera lá, é só uma bola oito…

- Mas foi você quem começou com esse troço de "a vida é como aquela bola oito".

- Sim, mas a leitura não é essa…

- Então é qual?

- Sei lá… é só uma bola oito…

Algumas cervejas e bolas na caçapa depois.

- Oito, no meio…

- Péra lá, vai matar a oito?

- Claro, é a da vez…

- Mas e o lance de vida, e tudo o mais?

- Sei lá, é a da vez e eu vou matar…

- Mas se você matar, significa que foi um acerto, e que minha vida é um erro até agora, que ela precisa cair na caçapa…

- Platão, na boa, pára de secar meu jogo e enche o copo, vai?