- Tô com cólica… faz alguma coisa?

- Hum… me dá o nome do remédio, eu apareço por aí já já…

- Ponstan, a dosagem mais alta que tiver na farmácia. Manda dois… ou três…

- Ponstan? Isso lá é nome?

- Foda-se o nome, vai logo!

- Tá, tá… já volto. Se doer muito, esmurra o cachorro…

E ele correu para a farmácia, repetindo "Ponstan, Ponstan", para não esquecer. Chegou no balcão, olhou o bonito sorriso da atendente, seguido do angelical "bom dia".

- Eu queria um… é… qual o nome mesmo?

Claro, ele havia esquecido completamente.

- Só um minuto…

Ligou já esperando as trovoadas. Sabem como é, mulher com cólica.

- Alô?

- Eu não acredito que você está ligando para perguntar o nome do remédio!

Estava ficando cada vez mais previsível.

- É, qual é mesmo o nome?

- É Ponstan! Ponstan! PONSTAN!

- Ah, igual Potsdam, aquela cidade alemã, do Conselho, um troço desses. Lembra, é da Segunda Guerra…

- Se essa porra não chegar em cinco minutos, você vai acompanhar a Terceira, Quarta e Quinta Guerras!

- Ok, ok… tô aí em cinco minutos… quer ficar na linha conversando enquanto isso?

- Arrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrgh!

Da batida de telefone para a casa foram seis minutos. Tempo suficiente para que paramédicos, bombeiros, a CIA, o Mossad e um exorcista ocupassem o prédio. Por sorte, ninguém reclamou dos urros.

- Está aqui, como você pediu…

Pela cara, ele jurava que ela conseguiria falar de trás para frente sem problemas.

Dois dias depois era a vez dele. Não uma cólica, é claro, mas uma dor de cabeça terrível:

- Tô com dor de cabeça, acho que é enxaqueca, me ajuda?

- Hum, me dá a marca da cerveja?

- Serra Malte.

Cinco minutos, e três garrafas depois, a enxaqueca tinha passado.