Quando ele a viu pela primeira vez, não pode deixar de ficar intrigado com todo aquele magnetismo. Afinal de contas não era nada além do normal, mas havia algo, uma aura, como é aquele negócio que dizem que os predestinados têm? É aura mesmo, sei lá. Enfim, ela era o núcleo, o centro de toda e qualquer atenção, masculina e feminina.

Não poderia ser somente pelo sexo, mesmo porque ele já estava acostumado a não sucumbir aos desejos da carne. Ok, é muito clichê, então vamos mudar para uma melhor: ele não estava acostumado a sentir tesão. Melhorou?

Enfim, mas quando ele a viu, "puta merda", foi o que ele exclamou. E ele mal acreditava que estava ali, na mesma mesa, tomando do mesmo café, falando das mesmas coisas. Era algo simbiótico, era um buraco negro engolindo tudo à sua volta, problemas, soluções, causas, efeitos, café, ele, nós, você. E ele, coitado, ele nem piscar conseguia.

Uma hora, é claro, a coisa foi para onde vão quase todas as conversas boas.

- Na minha casa ou na sua? - ela perguntou

- Eu não sei… eu… eu…

- Você?

- É, eu não posso… eu… sabe, eu não sou esse tipo de homem que você está pensando, e…

Antes mesmo que ele pudesse pensar em explicar de forma coerente, ela o tomou pelos braços, algo não muito usual, mas totalmente condizente com a coisa toda de buraco negro, magnetismo e afins. Daquele beijo saiu o destino, que seria a casa dela. Algumas horas depois, cigarro no canto da boca, cinzeiro apoiado na barriga, ele vaticinou:

- Amanhã eu largo o seminário.

Realmente, seria um tanto difícil ela ir à casa dele.