Infelizmente, meus caros, o título tem toda razão de ser. Por mais que nos esforcemos para mostrar às mulheres quem manda, quem está por cima, "na crista da onda" diria meu pai (se eu tivesse um), basta uma palavra para fazer tudo cair.

Miremos no exemplo dele e dela. Ela conversava com ele, e este, numa chata tarde de inverno, resolveu ser tão chato quanto a garoa fina de Sampa. Cheio daquelas coisas de "ah, não enche", "agora não béibe", "ah tá, benzinho" e demais, fazendo com que aquela sentisse tudo ficar tão insuportável quanto ele e a chuva juntos. Bastava uma palavra, que ela, assim como todas, sabe qual é:

- Quer saber, foda-se. Eu odeio seus nhénhénhés, tô cheia desse troço todo!

- Mas espera, te incomoda?

- Claro pô, eu aqui toda toda e você fazendo doce?

- Eu não sabia, desculpa…

- Ah, é bem fácil pedir desculpas. É sempre fácil pedir desculpas…

- Mas eu…

- Não, não tem mais nem menos. Que porra!

E assim elas batem as portas, fecham janelas, vestem a roupa. E você, lógico, vai correr atrás, sempre correu atrás, com as mesmas desculpas, os mesmos discursos, e tudo vai dar certo até mais um dia chato de inverno, onde tudo vai se repetir e vai acabar bem, como sempre acaba.

E você vai manter a pose de macho, como se fosse um estivador no Porto de Santos. Mas se procurar um pouco, ou se ela soltar a sonda de busca chamada desprezo, você vai voltar atrás e dizer coisas boas, comprar flores, essa merda toda. Porque no fundo, todos nós somos emos. Mas tem gente que disfarça muito bem.

* O título, e o texto em si, é dedicado à uma pessoa por quem tenho carinho inestimável e inenarrável. Não, eu não estou pegando ninguém. Não, não se trata de cocaína. É como se fosse uma obra de gost writter onde lá, do alto da minha sapiência, capitaneada por esta cabeça de tamanho sem fim, eu vim, vi e venci tudo. Entenderam? Não? Nem eu, e durmam muito bem esta noite com isso.