Eric Van der Ley é um blogueiro famoso por ter furtado o nariz da Esfinge de Gizé. Sim, aquilo que ele usa para respirar é quase tão discreto quanto um Corsa amarelo e tem a eficiência de um mega tubo de oxigênio. No sábado passado o "nariz em forma de guri" comemorou 24 22 Vote Afif! anos de respiração perigosa declarando a todos que seu apelido quando infante (ou melhor, quando ele tinha um metro de altura, contra os 1,10 metro atuais) era Pelúcia, e que gostaria muito que passássemos a chamá-lo de Lúcia mas isso não vêm ao caso. O que vem ao caso é que a patota e demais convidados foi reunida para comemorar o aniversário do Nariz no Atlanta, fazendo de tudo até suruba, menos jogar sinuca.

O Atlanta é o Reino dos Céus com vinte e nove mesas de bilhar e bolas belgas. Babem. E mesmo assim até café nós tomamos e bocha jogamos. Mas sinuca mesmo, foram cinco partidas e olhe lá. Aliás, as cinco últimas partidas por lá, pois destruimos o mezanino com chapéus de festa, resto de bolo e línguas de sogra. Sem contar que esquecemos de pagar a stripper e ela resolveu trabalhar por conta própria no ambiente para pagar o táxi de volta (uma grande mentira, pois a maioria das pessoas presentes eram blogueiros e a última stripper que qualquer blogueiro ali presente viu estava no Duke Nukem). Fracassada a idéia de sinuca, fomos ao Franz decidir o futuro da humanidade enquanto tomavamos café, porque somos losers, eu digo, blogueiros. Também decidimos de vez que precisávamos descabaçar o Eric.

Nosso intéprido aniversariante já fez muitas merdas coisas na vida. Já quebrou o braço de forma bizarra, já entrou para a Máfia dos Camelôs de Sampa e já teve uma conversa quente (heh) com uma pessoa de, pasmem, João Pessoa (me confundi, o João era a Pessoa?). Porém, a besta com o nariz do tamanho do Empire State nunca havia feito uma coisa na vida: andar de bicicleta.

"Que fracassado" dirá o astuto leitor, não sem razão. Afinal de contas andar de bicicleta é parte integrante da vida de 11 em cada 10 seres humanos. Eu sempre suspeitei que aquela nazza era alienígena, sempre.

Logo decidimos que era hora de fazer o Eric sentar no selim pois com certeza ele gostaria e pedalar, então eu, a tri-atleta e campeã olímpica de volta no quarteirão, Gabi, Alê Félix e um amigo dela, Roberto, fomos rumo ao Villa Lobos para ver o Eric sofrer uma fratura exposta ou fazer tremer metade de São Paulo caindo de nariz.

Assim que montou na magrela, Eric parecia o finado Papa João Paulo II: orava feito um louco para não cair e tremia mais do que a zaga do Corinthians quando vê a bola. Rezava fervorosamente para que a energia acabasse, um ataque cardíaco fulminante me levasse embora ou para que um concurso de melhor top less ever começasse no parque, dispersando toda a atenção e comoção dos presentes por momento tão solene, que comentavam a perfomance:

- Olha, um risoles numa bicicleta!

- Manhê, navio não anda só no mar?

- Paiê, tucano pedala? 

- Mas que aerodinâmica tem aquela bicicleta, hein?

Horas depois, e sem nenhum machucado aparente, Eric concluiu seu curso de direção ofensiva com louvor: atropelhou duas velhinhas, uma criança, um anão besuntado e três portugueses, um novo recorde no Carmaggedon. Além disso, ainda perdeu na corrida para um bêbado, fumante e octoblogueiro, no caso este que vos escreve. Espero que, apesar de tudo, tenha sido um bom aniversário para ele. E que ele não apareça aqui com comentários do tipo:

- Pô, minha bunda está doendo.

Mesmo porque, isso não seria um début na vida dele, segundo me dizem fontes fidedignas.

Parabéns narigudo, e que aquelas coisas que se desejam em aniversários venham duas vezes maiores do que o empadão que você carrega no lugar do nariz.