Pouca gente sabe, mas o Jardim das Oliveiras (atual Praça do Pôr do Sol, em Pinheiros) nada tem de edificante, tal qual a Bíblia conta. Versa a lenda que o lugar, na verdade, era um grande ponto de fumo da rapaziada, incluindo nosso saudoso Jota Cê, que por sinal fazia a alegria do povo transformando capim em marola.

Quando se deu o lance todo do Jardim das Oliveiras, a patota divina estava lá fumando unzito, afinal de contas, era sexta-feira. Tudo muito bom, tudo muito bem, e Jota Cê resolve conversar com a galera coisas importantes sobre a vida e o mundo:

- Meus irmãos de fé, onde vocês arrumaram essa porra dessa seda ruim?

- Pô Jota, mal ae véi, passei lá na padoca do Salim e era a única que tinha… - respondeu Matheus.

- Caraleo! - exclama Jota Cê, dando início à reza - Pai, meu querido pai, peço desculpas pela incompetência de Matheus. Ó Pai, todo misericórdia, providencie para que seu filho possa, em verdade vos fumo, apreciar de tão rara iguaria divina.

E então as folhas de bananeira, após tal ato de fé, ficaram como seda.

O maior problema para os fumetas é que Pilatos, além de asmático, era inimigo declarado do consumo de entorpecentes. Algo próximo de um Conte Lopes, só que com saias e sandália. Sua luta contra o consumo de drogas era tão ferrenha que o governor ficou famoso pela célebre frase, aqui em latim:

- Fumetus filhus de putus est, cadeius merecis est!

Além de Pilatos, os sacerdotes judeus não viam com bons olhos o comércio amigo de Jota Cê. Caifás, mais conhecido como Beira-Oásis, era um notório comerciante de ervas finas, sendo inclusive sócio de um romano proeminente na época, Pablus Escobarius, o temido chefe do cartel do Lácio (atual Pirituba).

Apesar de todos os revezes, os Apóstolos de Bob Marley não largavam por nada o cigarrinho do Capeta. Então, naquele dia, no Jardim das Oliveiras, o próprio resolveu aparecer para reclamar dos royalties e afins:

- E ae moleque, beleza?

- Carai véi, é o Demo em pessoa! - exclamou um surpreso Jota Cê.

- Não teu puto, é a Armada Espanhola! Escuta só, negócio é o seguinte: tô ligado que andam vinculando meu nome a essas parada aí que cêis fuma e eu sei que o Beira-Oásis ganha uma grana boa no lance, mas descobri que tu fabrica meu cigarrinho num piscar de olhos, procede?

- Firma, mano do Mal…

- Pois então, quero uma grana nessa parada ou tu acorda com a boca cheia de formiga véi!

- Mas isso é uma coisa Divina rapá, coisa do meu Pai, não tem como vender…

- Se vira, nóia! Te dou cinco minutos! CINCO MINUTOS! Tô com os romano na linha aqui, e se o Pilatos te pega tu vai pra cruz!

- Perdoai-o Pai, ele não sabe o que fuma…

Jota Cê, apesar de todo poder, não estava afim de ceder uma grana pro Demo. O Pai também não atenderia, afinal de contas subsidiar a concorrência por conta dos vícios do filho atrapalharia e muito os negócios do Céu.

Cinco minutos depois, o exército Romano chegou ao Jardim e levou todo mundo em cana por tráfico, exceto Judas, que já havia fumado tudo o que tinha e não portava sequer a ponta.

Os romanos limparam Nazaré, Galiléia e afins das drogas até o dia em que o reagge chegou, com o sucesso Centurius Soldiers e Legalize est de Crassus Marley e Petrus Tosh, respectivamente. Depois deles, o Império Romano caiu e a geografia mundial mudou, dando início à uma nova civilização que não lavava os cabelos: a Jamaica.

Mas isso é outra história.