Só pode ser tiração de sarro, zoada grandona mesmo, uma música com um treco desses: "quando Deus te desenhou, ele tava namorando". Quem disse que as pessoas que namoram fazem coisas boas. Pelo contrário. Se Deus tivesse "desenhado" a figura enamorado, a dita cuja (ou o dito cujo, se for música do Jorge Vercilo) sairia tal qual os Ursinhos Carinhosos ou de Telletubies. Sim, porque quem pensa em crianças não cria essas porras; quem as cria são os infelizes cheios de "mimimimimi" e "amor para dar", também conhecido como "me engana que eu gosto".

Vê o Hitler, tava lá todo babão pela Eva Brown, esqueceu de dar uma olhada no mapa e acordou comendo capim pela raiz. Jesus Cristo, todo chegado nesse lance de amor e tal, acordou pregado. O tonto do Romeu comprou maior briga com os Capuletos (ou os Montéquios, sempre confundo essa porra POR QUÊ SHAKESPEARE NÃO USOU SILVA E SANTOS, CARALEO!) para depois acordar com a boca cheia de formiga. O Batman caiu em desgraça depois do Robin, a ponto de acordar num filme dirigido pelo Joel Schumacher!

Então me vem um porra, sei lá quem, me dizer que "quando Deus te desenhou, ele tava namorando"? Um caraleo, devia estar era enchendo a cara no boteco com querubins, serafins, severinos e demais pedreiros da grande Opus Dei (Obra de Deus, pescou, pescou?) enquanto o mestre-de-obras não avisa que acabou o almoço. Depois todo mundo corre para lavar a marmita porque tem o "segundo tempo" e mais pessoas precisam ser "desenhadas".

E outra, desenhar é de foder! O cara acreditar na Santa Inquisição, no boitatá, no Lula, em quindim ruim e afins vá lá, agora acreditar que Deus desenha a patota é piração demais até para quem tem oito blogs. Não me venha com o diabo da licença poética! Licença poética é o Fernando Henrique dizendo que é a solução do Brasil, porra!

Não que eu seja um descrente do diabo do amor, mas eufemismo tem limite. O cara falar "meu iáiá, meu iôiô" ainda vai. Agora falar que Deus desenha, pô véi, é cafona bagaraleo.