Do boteco para o papelJuly 31, 2006 4:22 pm

- Benhê…

- Quê?

- Aquele negócio que você falou do meu pai era verdade?

- Qual?

- Que ele deveria pular a cerca?

- Hein? Não falei nada disso… tá certo que ele parece o João do Pulo, mas…

- Não, seu bobo, eu quis dizer que ele deveria comer fora de casa…

- Sei lá, vai ver deve sim, a comida da sua mãe é horrível…

- Não, não é isso… eu quero dizer que você disse para ele molhar o biscoito em outro copo, afogar o ganso em outro lago. E que história é essa da comida da minha mãe…

- Nada, nada… e sei lá se ele deve fazer essas coisas? Seu pai é meio bizarro, confesso, mas daí para serial killer de patos… enfim, eu não descarto, mas não seria por indicação minha…

- Você disse que o papai deveria sair do armário…

- Cê tá brincando, né? Eu não disse nada disso. Sei lá se seu pai tá no armário ou não, puta papo doido esse…

- Não, não… aquela hora, depois de umas cervejinhas, você disse que o papai deveria fazer uso de outros lençóis…

- Até eu, sua mãe lava roupa tão bem quanto cozinha!

- O quê???!!!

- Nada, nada, esquece… olha, eu não estou entendendo nada do que você está dizendo…

- Estou falando do que você disse lá na casa da mamãe, que o papai deveria trocar de time…

- Claro! Por que não?

- Como "por que não"? Ele é meu pai!

- E daí, você nunca foi fissurada por futebol. Se ele deixar de torcer pro Corinthians não vai ter problema, ainda mais depois daquele jogo…

- Ah, era isso?

- Claro, achou que era o quê?

- Nada, nada. A propósito, você dorme no sofá hoje…

- Por que?

- Por causa da comida e da roupa da mamãe…

Do boteco para o papelJuly 28, 2006 1:57 pm

- Cê tá falando sério?

Não, eu não estava. Aliás, acho que estava, sei lá. O mais importante é que eu havia dito, sem receio nenhum, na lata mesmo. Já disse um sábio que "mulheres transam com caras feios, com caras burros. Por Deus, mulheres transam com animais!" e eu não poderia deixar de notar que este conselho era muito útil naquela hora.

- É sério pô, por que não seria?

- Porque é você, oras!

Ok, devo admitir que ela foi espirituosa, sensata. Caraleo, estava coberta de Razão! Mas de qualquer forma, eu não tinha lido os livros do Lair Ribeiro à toa. Aliás, eu não tinha lido mesmo. Quem é Lair Ribeiro?

- Sim, eu entendo seu ponto de vista, mas mesmo assim a dúvida não é cabível!

- É sim, eu te conheço. Você não seria capaz, ficaria cheio de dedos…

- Posso fazer uma infâmia com o Lula?

- Aí, tá vendo, você estraga tudo! É por essas e outras que eu digo que não dá, não adianta!

- Mas…

- Nem meio "mas", você não é capaz e ponto.

Tentava quebrar o gelo, mas não dava. Mentira, a infâmia saiu porque eu precisava fazer aquilo, era como um vicío. Se ela usasse o eufemismo "pisar em ovos" a emenda seria pior que o soneto. Decidi então que era hora de agir, de tomar uma atitude, de ir para cima, todas essas coisas de gente resoluta que sabe o que quer e blábláblá…

- Perae, você vai ver só…

- Eu sei. Dou cinco minutos para você voltar…

E foram exatos cinco minutos entre o levantar da cadeira e o "não" da outra mesa. Não tenho nem descrição física dela. Do "não", é inesquecível; sonoro, único, retumbante. Soou como um hino vagando por toda a pátria, todo mundo cantando junto, como em final de Copa do Mundo. Voltei à mesa e ela ria, na cadeira do outro lado.

- Eu te falei, eu sempre tenho Razão.

- Sempre tem não, você é a própria Razão!

Mais tarde o garçom me informou que o bar ia fechar. Disse a ele que esperasse mais um pouco, pois conversava com a Razão e ela tinha ido ao banheiro. Os olhares assustados não negavam: a cadeira em frente estava vazia, esteve vazia durante a noite toda, escondida atrás das seis garrafas de Serra Malte. Vazia, eles pensavam, mas mal sabiam que ela estava era coberta de Razão.

Let's talk about sexJuly 27, 2006 2:15 pm

A gente sabe que o fim da linha chegou quando se tem oito blogs se faz necessário ir a um puteiro, prostíbulo, meretrício, zona, enfim, à uma "casa" para resolver aqueles problemas de foro intímo e tal.

E o João, coitado, precisou comparecer a uma casa da luz vermelha (um baita eufemismo bonito, por sinal). Não que ele tivesse oito blogs, é claro. Mas João não andava pegando nem gripe e resolveu que era aquilo, ou a morte. E morrer com o número de punhetas que ele tinha era programa de milhas para cinco milênios no Inferno.

Então João resolveu ir, mas tinha outro problema: ganhava pouco, o rapaz. Sustentava a família, gente simples e honesta. Num mundo perfeito, ele teria sua cota de foda diária sem problemas. Mas na sociedade capitalista cheia daqueles clichês vermelhinhos, ele tinha de pagar por aquilo. Como trata-se de uma no cravo, outra na ferradura, João pode optar por diversos preços pois, mesmo sendo injusto, o capital alimenta a livre concorrência.

Então lá foi nosso intrépido herói ao famoso Treme-treme (um belissímo e sagaz apelido) atrás de moças experientes que pudessem dar um auxílio ao seu pequeno problema. Só que naquela noite, algo mudaria a vida de João. Algo com 1,68 metro, 65 quilos, uma bizarra combinação de meia arrastão verde limão com top laranja que cobriam a bunda mais redondamente perfeita que João já viu, bunda esta em simetria com os seios, como se exclamassem em uníssono: promoção única e imperdível.

Paula era seu nome, e aquilo era um bico. Recém-chegada ao curso de jornalismo, ela não tinha como pagar os oitocentos reais da mensalidade, sem contar os livros e tudo o mais que o ato de ingressar numa faculdade pede. Na sua lógica torta, porém sagaz, vaticinou:

- Já que eles me arrancarão a calcinha, faço isso por conta própria.

E lá foi ela para a vida, para encontrar João, que chegou e voou para cima da moça antes que qualquer outro pudesse vê-la:

- Er… hum… oi…

- Oi?

- Tudo bem? Er… você vem sempre aqui?

Entenderam agora porque ele não pegava nem gripe?

- Cem reais…

- Que isso, as outras cobram 30!!!???

- O que você é? Surdo? Economista? Meu terapeuta? Quer conversar? Cem reais ou nada…

João estava apaixonado. "Que humor! Ou mau humor…", ele pensou, mas não importava, aquela mulher era seu sonho materializado. Enfiou a mão no bolso e, da carteira, sacou cem reais. Os olhos de Paula brilharam:

- Tudo bem gatinho, é por aqui…

E lá foram eles para a melhor noite de João que, ao final da hora, sacou mais cem e pediu desconto para mais duas horas. Acabaram fechando em uma hora e meia, numa bizarra barganha à meia-luz, e João prometeu voltar.

Nos meses seguintes, tratava-se de outro homem. João não comia, não bebia, economizava cada centavo para, uma vez por semana, torrar cem, duzentos, até trezentos reais com Paula. Tornara-se um avaro de primeiira linha, levando a vida dessa forma durante quatro anos. Paula, após os quatro anos, pegou outro tipo de canudo, largando a vida fácil por outra não lá muito difícil e sumindo do dia-a-dia de João, não sem antes tentar consolar o pobre amante:

- Agora você me terá todos os dias, nas bancas de jornal, por apenas R$ 2,50.

E João seguiu lendo sua amada por dois anos, até que um dia apareceu morto, no quarto de sua casa, forrado de artigos assinados por Paula Alvarenga. No dia seguinte, uma carta chegou ao jornal, remetida por um certo João:

"Caro Editor-Chefe

espero que esta missiva o encontre bem. Quero que saiba que morri por causa da merda do seu jornal e da puta que escreve uma vez por dia um artigo neste lixo. Eu que acreditava que o jornalismo era feito de forma idônea, agora sei que ele está cercado de putas, de cafetões e afins. Aliás, é uma ofensa a classe de trabalhadores da zona comparar eles com vocês. Vocês são umas antas, umas bestas, uns imbecis! Espero que esta carta te encontre com um edema, um problema cardiovascular qualquer, um tumor! Enfim, espero que você se foda, junto com a sua ninfeta!

Cordialmente.

João"

O editor, ao ler a carta, apenas sorriu e, por entre esse sorriso, sibilou:

- Parem as prensas, ele acaba de descobrir a roda…

Paula ria junto, sentada no colo do chefe, fazendo serão com um picador de gelo na mão.

Pós-modernoJuly 26, 2006 2:37 pm

Numa fábrica de açúcar em Beirute, durante uma partida de truco, Hassam-Al-Hareein e Hareein-Al-Hassam discutiam, entre uma bomba e outra de Israel que caia sobre a capital libanesa:

- Cara, ontem eu vi um filme do Amos Óz muito foda e…

- Tá louco?

- Por que?

- O cara é judeu, é sionista, rapá!

- E daí? Anteontem você assistia ET!

- Mas pera lá, o Spielberg é um judeu legal!

- Nem fodendo, além de judeu, é americano!

- Mas e a história lúdica e infantil? Que porra, é um puta filme!

- Bah, lixo. Eu prefiro os filmes do Jerry Lewis!

- Outro judeu porco sionista! Assim você vai arder no mármore do inferno, preibói!

- Pera lá! É o Lewis! Até o Aiatolá Khomeini daria risada com o Lewis! Até mesmo Maomé iria rir!

- É verdade… e o Seinfeld, hein?

- Maldito filho de Abrahão! Engraçado que só a porra!

E enquanto eles riam recordando o episódio do anti-dentista, uma bomba caiu sobre a fábrica. De origem israelita, é claro. Tanto a fábrica quanto a bomba.

Let's talk about sexJuly 25, 2006 5:09 pm

Quando eu entrei naquele carro e tocava Police no rádio, imaginei que boa coisa não era.

- Police é muito bom… - eu disse.

- Pois é, temos muitas coisas em comum, tá vendo?

Eu imaginei que ela era suicida, na mesma hora, porque talvez só isso fosse parte das "coisas em comum".

Quando eu aceitei o convite, não sabia onde estava com a cabeça. Melhor, até sabia: estava entre as pernas, utilizando o mictório de um banheiro qualquer, de um bar qualquer. Mas depois lembrei que eu que havia feito o convite. Enfim, lá pelas tantas nos embrenhamos pelas ruas de uma perigosa região de Sampa. Talvez o PCC atacasse, sei lá. Chegamos e a fila do abate era grande. Sábado é dia de ir no motel, acho eu, então vinha a parte mais difícil daquela noite, a única pauta onde a cabeça de cima quase venceu a de baixo naquele banheiro sujo de um bar qualquer. Veio a conversa.

- Sabe, eu ando lendo Shakespeare.

Police e Shakespeare. Está tudo errado!

- Jura? Anda lendo o quê dele?

- O Fantasma da Ópera!

Sorte que eu não brocho com literatura. Pelo menos não ainda.

- Mas não é dele… - tentei argumentar.

- É sim, eu vi!

- Não é!

- É sim…

- Não é!

- É sim!

- Diabos, tira logo a calcinha, vai…

- Aqui não, aqui é a fila.

- Vai, anda, tira logo "Desdêmona"!

- Ah, isso eu sei, é Walter Scott!

- Não é! É Shakespeare!

- Não, é Walter Scott!

- Puta que o pariu… olha, vagou um quarto!

- Êêêêêba…

"Êêêêêba…"? Prometi que nunca mais pensaria com a cabeça de baixo. Questão lógica, ela é menor que a de cima. Bem menor. Talvez a de cima seja mais estúpida, mas vai impor suas idéias pela força.

- Olha, vamos fazer assim, eu faço um strip pra você…

- Hum…

- Olha só, você gosta?

- Opa! Tanto quanto o Humbert Humbert gostava de ninfetas…

Por que eu ainda dou corda?

- Aquele do Tolstói! Ótimo livro!

- Não, do Nabokov…

- É do Tolstói!

- Tá, tá, tira a roupa, vai…

- Tá gostando?

- As mulheres de trinta são ótimas…

- Sim, sim, já disse o Flaubert…

- É o Balzac…

- Não, é o Flaubert!

- Puta que me pariu! Chega de falar de livros, é sério…

- Tá bom, tá bom, então eu vou fazer um strip igual aquela moça daquele filme do Scorcese, qual o nome?

- Cassino? Não era strip, era um boquete…

- Não, o Femme Fatale! Lembrei! Êêêêba!

"Êêêêba"? De novo?

- Não, é do de Palma…

- Do Scorcese!

- Faz assim: imita a Sharon Stone no Cassino e tá tudo bem. Se quiser, pode até me chamar de Robert De Niro que eu não esquento…

- Tá bom, Al Pacino…

- Hein?

- O filme é com o Al Pacino…

- Chega! Finge que é cinema mudo!

E pela primeira vez na história, eu acho, aconteceu o sexo oral com marcha militar. Porque ela insistia que o Chaplin era Hitler.

E Parabéns...July 24, 2006 5:33 pm

Eric Van der Ley é um blogueiro famoso por ter furtado o nariz da Esfinge de Gizé. Sim, aquilo que ele usa para respirar é quase tão discreto quanto um Corsa amarelo e tem a eficiência de um mega tubo de oxigênio. No sábado passado o "nariz em forma de guri" comemorou 24 22 Vote Afif! anos de respiração perigosa declarando a todos que seu apelido quando infante (ou melhor, quando ele tinha um metro de altura, contra os 1,10 metro atuais) era Pelúcia, e que gostaria muito que passássemos a chamá-lo de Lúcia mas isso não vêm ao caso. O que vem ao caso é que a patota e demais convidados foi reunida para comemorar o aniversário do Nariz no Atlanta, fazendo de tudo até suruba, menos jogar sinuca.

O Atlanta é o Reino dos Céus com vinte e nove mesas de bilhar e bolas belgas. Babem. E mesmo assim até café nós tomamos e bocha jogamos. Mas sinuca mesmo, foram cinco partidas e olhe lá. Aliás, as cinco últimas partidas por lá, pois destruimos o mezanino com chapéus de festa, resto de bolo e línguas de sogra. Sem contar que esquecemos de pagar a stripper e ela resolveu trabalhar por conta própria no ambiente para pagar o táxi de volta (uma grande mentira, pois a maioria das pessoas presentes eram blogueiros e a última stripper que qualquer blogueiro ali presente viu estava no Duke Nukem). Fracassada a idéia de sinuca, fomos ao Franz decidir o futuro da humanidade enquanto tomavamos café, porque somos losers, eu digo, blogueiros. Também decidimos de vez que precisávamos descabaçar o Eric.

Nosso intéprido aniversariante já fez muitas merdas coisas na vida. Já quebrou o braço de forma bizarra, já entrou para a Máfia dos Camelôs de Sampa e já teve uma conversa quente (heh) com uma pessoa de, pasmem, João Pessoa (me confundi, o João era a Pessoa?). Porém, a besta com o nariz do tamanho do Empire State nunca havia feito uma coisa na vida: andar de bicicleta.

"Que fracassado" dirá o astuto leitor, não sem razão. Afinal de contas andar de bicicleta é parte integrante da vida de 11 em cada 10 seres humanos. Eu sempre suspeitei que aquela nazza era alienígena, sempre.

Logo decidimos que era hora de fazer o Eric sentar no selim pois com certeza ele gostaria e pedalar, então eu, a tri-atleta e campeã olímpica de volta no quarteirão, Gabi, Alê Félix e um amigo dela, Roberto, fomos rumo ao Villa Lobos para ver o Eric sofrer uma fratura exposta ou fazer tremer metade de São Paulo caindo de nariz.

Assim que montou na magrela, Eric parecia o finado Papa João Paulo II: orava feito um louco para não cair e tremia mais do que a zaga do Corinthians quando vê a bola. Rezava fervorosamente para que a energia acabasse, um ataque cardíaco fulminante me levasse embora ou para que um concurso de melhor top less ever começasse no parque, dispersando toda a atenção e comoção dos presentes por momento tão solene, que comentavam a perfomance:

- Olha, um risoles numa bicicleta!

- Manhê, navio não anda só no mar?

- Paiê, tucano pedala? 

- Mas que aerodinâmica tem aquela bicicleta, hein?

Horas depois, e sem nenhum machucado aparente, Eric concluiu seu curso de direção ofensiva com louvor: atropelhou duas velhinhas, uma criança, um anão besuntado e três portugueses, um novo recorde no Carmaggedon. Além disso, ainda perdeu na corrida para um bêbado, fumante e octoblogueiro, no caso este que vos escreve. Espero que, apesar de tudo, tenha sido um bom aniversário para ele. E que ele não apareça aqui com comentários do tipo:

- Pô, minha bunda está doendo.

Mesmo porque, isso não seria um début na vida dele, segundo me dizem fontes fidedignas.

Parabéns narigudo, e que aquelas coisas que se desejam em aniversários venham duas vezes maiores do que o empadão que você carrega no lugar do nariz.

O Evangelho Segundo Julius CaesarJuly 21, 2006 8:06 pm

Pouca gente sabe, mas o Jardim das Oliveiras (atual Praça do Pôr do Sol, em Pinheiros) nada tem de edificante, tal qual a Bíblia conta. Versa a lenda que o lugar, na verdade, era um grande ponto de fumo da rapaziada, incluindo nosso saudoso Jota Cê, que por sinal fazia a alegria do povo transformando capim em marola.

Quando se deu o lance todo do Jardim das Oliveiras, a patota divina estava lá fumando unzito, afinal de contas, era sexta-feira. Tudo muito bom, tudo muito bem, e Jota Cê resolve conversar com a galera coisas importantes sobre a vida e o mundo:

- Meus irmãos de fé, onde vocês arrumaram essa porra dessa seda ruim?

- Pô Jota, mal ae véi, passei lá na padoca do Salim e era a única que tinha… - respondeu Matheus.

- Caraleo! - exclama Jota Cê, dando início à reza - Pai, meu querido pai, peço desculpas pela incompetência de Matheus. Ó Pai, todo misericórdia, providencie para que seu filho possa, em verdade vos fumo, apreciar de tão rara iguaria divina.

E então as folhas de bananeira, após tal ato de fé, ficaram como seda.

O maior problema para os fumetas é que Pilatos, além de asmático, era inimigo declarado do consumo de entorpecentes. Algo próximo de um Conte Lopes, só que com saias e sandália. Sua luta contra o consumo de drogas era tão ferrenha que o governor ficou famoso pela célebre frase, aqui em latim:

- Fumetus filhus de putus est, cadeius merecis est!

Além de Pilatos, os sacerdotes judeus não viam com bons olhos o comércio amigo de Jota Cê. Caifás, mais conhecido como Beira-Oásis, era um notório comerciante de ervas finas, sendo inclusive sócio de um romano proeminente na época, Pablus Escobarius, o temido chefe do cartel do Lácio (atual Pirituba).

Apesar de todos os revezes, os Apóstolos de Bob Marley não largavam por nada o cigarrinho do Capeta. Então, naquele dia, no Jardim das Oliveiras, o próprio resolveu aparecer para reclamar dos royalties e afins:

- E ae moleque, beleza?

- Carai véi, é o Demo em pessoa! - exclamou um surpreso Jota Cê.

- Não teu puto, é a Armada Espanhola! Escuta só, negócio é o seguinte: tô ligado que andam vinculando meu nome a essas parada aí que cêis fuma e eu sei que o Beira-Oásis ganha uma grana boa no lance, mas descobri que tu fabrica meu cigarrinho num piscar de olhos, procede?

- Firma, mano do Mal…

- Pois então, quero uma grana nessa parada ou tu acorda com a boca cheia de formiga véi!

- Mas isso é uma coisa Divina rapá, coisa do meu Pai, não tem como vender…

- Se vira, nóia! Te dou cinco minutos! CINCO MINUTOS! Tô com os romano na linha aqui, e se o Pilatos te pega tu vai pra cruz!

- Perdoai-o Pai, ele não sabe o que fuma…

Jota Cê, apesar de todo poder, não estava afim de ceder uma grana pro Demo. O Pai também não atenderia, afinal de contas subsidiar a concorrência por conta dos vícios do filho atrapalharia e muito os negócios do Céu.

Cinco minutos depois, o exército Romano chegou ao Jardim e levou todo mundo em cana por tráfico, exceto Judas, que já havia fumado tudo o que tinha e não portava sequer a ponta.

Os romanos limparam Nazaré, Galiléia e afins das drogas até o dia em que o reagge chegou, com o sucesso Centurius Soldiers e Legalize est de Crassus Marley e Petrus Tosh, respectivamente. Depois deles, o Império Romano caiu e a geografia mundial mudou, dando início à uma nova civilização que não lavava os cabelos: a Jamaica.

Mas isso é outra história.

Por que eu não pensei nisso antes? 1:11 pm

É bem simples: pega todo o Oriente Médio e transforma num grande estacionamento. É, ou então faz um ultra-hiper-plus shopping religioso. Imaginem quantos empregos seriam gerados, [mode capitalista on] os avanços econômicos [mode capitalista off] e [mode Responsabilidade Social de mentira on] sociais [mode Responsabilidade Social de mentira off] da empreitada. Jesus Cristo de plástico, Abrahão de resina, Maomé com três botões para frases como "Matem os infiéis", "Cruzada é um cacete!" ou então "Ei, Leão, vai tomar no cu!". Talvez aquelas camisetas engraçadinhas, como uma toda furada com o escrito "Estive em Bagdá e lembrei de você!" ou o Saddam de bigodon e boina, com a mão estendida, dizendo "Bush, pega na minha e balança!".Os árabes poderiam começar a lascar pedaços da Pedra para vender como souvenir. Imaginem só, camisetas do Che e lascas da Caaba a preços promocionais! O Armstrong ia morrer de inveja por não vender a pedra da lua.

Sei não, mas acho que os judeus já trabalham no assunto. Além do histórico de saber fazer dinheiro vendedo garrafa com fumaça, eles há tempos estão aterrando tudo por lá. Mesmo o Muro histórico já se encontra em frangalhos e o tio Isaac não quer ficar com a obra inacabada. Ou põe tudo abaixo e vende ou barganha por umas terrinhas na Alemanha e no Recife.

Os turcos, já com um pé na Europa mesmo, nem teriam problema em abandonar Constantinopla. Porra, já tem um turco aqui em Sampa, obreiro pacas, que cresceu na vida as custas de superfaturadas e, assim como o Quércia, não morre! Passagem para Beirute, só de ida! Ajuda a comunidade, Dr. Paulo! Transformaríamos Istambul num grande Museu para a humanidade, uma baita biblioteca, uma lan house do tamanho de três Maracanãs, e tudo ficaria lindo!

E Pirituba, que deveria voltar a ser tribo. Eu achar bem legal ver as índias peladas, rapá.

Tá vendo, é tão simples dar uma ajeitada no mundo. Só o Batman que complica as coisas. Todo fuzuê só porque os filhos de Abraão estão enchendo a patota de Beirute? Alguém passa no Habib’s e compra uns dois para eles, vai?

 

"Isaac, sua parte é maior que a minha!"

"Wiesenthal, seu safado!"

"Jacó, tem porco no Beirute?" 

Pós-modernoJuly 20, 2006 1:08 pm

O advento da intimidade criou grandes problemas para a civilização pós-moderna (e quem lê essa frase pode até achar que eu quis dizer algo interessante. Mas esqueçam, não é nada disso).

Ontem, por exemplo, eu estava no ônibus, voltando para casa. E eu tenho um problema com ônibus.

*deita no divã*

- Então Júlio, qual o seu problema com ônibus? - pergunta o doutor, acendendo um charuto.

- Seguinte véi, sempre que eu estou no ônibus, costumo ter uma ereção. Manja, do nada, sem nem ao menos pensar em sexo. Já tive isso lendo Stephen Hawkins!

- Isso é por que você tem desejos pela sua mãe…

- Porra, por quê todos vocês dizem a mesma merda, rapá!?

- Tá, você tem dois problemas: fica de pau duro no ônibus e lê Hawkins. Você já viu "A dama do lotação"? 

- Qual das versões?

*levanta do divã*

Então, dentro do ônibus, recebi uma ligação importante, sobre uma pauta mais importante ainda que anda rolando por aí. A certa altura da conversa, o ônibus passou em frente à loja da De Millus, Valisére, Victoria Secret, Calcinhas Panamá, sei-lá-que-diabos-fabricante-de-seguradores-de-peitos (fica ali na Sumaré e tem dois belissímos, redondinhos e empinados outdoors) e resolvi informar a pessoa com quem conversava, cuja identidade será mantida em sigilo:

- Gabi, tô em frente aquele outdoor do sutiã!

- No ônibus? Putz…

"No-no-notorius!" diria o fresco do Simon LeBon.

A Culpa É DazeliteJuly 19, 2006 6:18 pm

Só pode ser tiração de sarro, zoada grandona mesmo, uma música com um treco desses: "quando Deus te desenhou, ele tava namorando". Quem disse que as pessoas que namoram fazem coisas boas. Pelo contrário. Se Deus tivesse "desenhado" a figura enamorado, a dita cuja (ou o dito cujo, se for música do Jorge Vercilo) sairia tal qual os Ursinhos Carinhosos ou de Telletubies. Sim, porque quem pensa em crianças não cria essas porras; quem as cria são os infelizes cheios de "mimimimimi" e "amor para dar", também conhecido como "me engana que eu gosto".

Vê o Hitler, tava lá todo babão pela Eva Brown, esqueceu de dar uma olhada no mapa e acordou comendo capim pela raiz. Jesus Cristo, todo chegado nesse lance de amor e tal, acordou pregado. O tonto do Romeu comprou maior briga com os Capuletos (ou os Montéquios, sempre confundo essa porra POR QUÊ SHAKESPEARE NÃO USOU SILVA E SANTOS, CARALEO!) para depois acordar com a boca cheia de formiga. O Batman caiu em desgraça depois do Robin, a ponto de acordar num filme dirigido pelo Joel Schumacher!

Então me vem um porra, sei lá quem, me dizer que "quando Deus te desenhou, ele tava namorando"? Um caraleo, devia estar era enchendo a cara no boteco com querubins, serafins, severinos e demais pedreiros da grande Opus Dei (Obra de Deus, pescou, pescou?) enquanto o mestre-de-obras não avisa que acabou o almoço. Depois todo mundo corre para lavar a marmita porque tem o "segundo tempo" e mais pessoas precisam ser "desenhadas".

E outra, desenhar é de foder! O cara acreditar na Santa Inquisição, no boitatá, no Lula, em quindim ruim e afins vá lá, agora acreditar que Deus desenha a patota é piração demais até para quem tem oito blogs. Não me venha com o diabo da licença poética! Licença poética é o Fernando Henrique dizendo que é a solução do Brasil, porra!

Não que eu seja um descrente do diabo do amor, mas eufemismo tem limite. O cara falar "meu iáiá, meu iôiô" ainda vai. Agora falar que Deus desenha, pô véi, é cafona bagaraleo.